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Onde está a Luna 9? Equipes divergem sobre localização de sonda soviética na Lua

Onde está a Luna 9? Equipes divergem sobre localização de sonda soviética na Lua

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Um “tesouro” espacial perdido pode ter sido encontrado. Duas equipes de especialistas afirmam ter localizado o que restou da sonda soviética Luna 9 na superfície da Lua. Esse objeto é histórico porque foi o responsável pelo primeiro pouso suave em outro corpo celeste, lá em 1966. Mas ninguém sabia exatamente onde ele estava.

Para resolver esse mistério, pesquisadores usaram caminhos diferentes: alguns analisaram imagens da NASA “no olho”, enquanto outros recorreram à inteligência artificial (IA). Além do valor histórico, encontrar a sonda soviética é importante porque pode nos ensinar como o ambiente lunar desgasta materiais com o passar do tempo.

Caminhos diferentes para encontrar o que restou da sonda soviética na Lua

O divulgador científico Vitaly Egorov apostou no esforço coletivo. Ele contou com leitores de seu blog para examinar, pixel por pixel, uma faixa de 100 quilômetros de largura em fotos da sonda LROC, da NASA. Egorov identificou o local comparando o horizonte das fotos originais de 1966 com mapas digitais que mostram o relevo atual da Lua.

Já os pesquisadores da University College London preferiram criar um algoritmo chamado YOLO-ETA. Esse sistema de aprendizado de máquina foi treinado para “caçar” objetos artificiais e detritos no solo lunar de forma automática. A ferramenta apontou possíveis vestígios na coordenada 7,03° N, 64,33° O, lugar que bate com a iluminação e o relevo vistos nas fotos históricas.

Cartão com carimbos e selos da missão Luna 9
Sonda soviética Luna 9 fez o primeiro pouso suave da humanidade em outro corpo celeste, em 1966 (Imagem: Batest/Shutterstock)

O problema é que existe uma distância de vários quilômetros entre os pontos sugeridos pelas duas equipes. Enquanto o grupo de Londres aponta um local a cinco quilômetros de onde os soviéticos diziam estar em 1966, Egorov sugere um ponto a 24 quilômetros de distância. Essa confusão acontece porque os dados originais da União Soviética podem ter erros graves. Isso porque eles não conheciam a geografia da Lua tão bem na época.

Por causa disso, nem todos os cientistas estão convencidos de que a busca acabou. O cartógrafo Philip Stooke explicou ao New York Times que um local de pouso verdadeiro deveria mostrar as marcas deixadas pelos propulsores no chão. Ele acha a localização de Egorov mais provável, mas lembra que é muito difícil confirmar algo que aparece apenas como um pontinho (pixel) em imagens de alta resolução.

A resposta final deve vir em março de 2026, com a sonda indiana Chandrayaan-2. Ela vai tirar fotos novas da região que podem mostrar com clareza as quatro “pétalas” que formavam a estrutura da Luna 9. No fim das contas, para resolver esse mistério de vez, precisamos de câmeras melhores no espaço.

(Essa matéria também usou informações de DW.)

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