A morte de uma professora após passar mal durante uma aula de natação em uma academia na Zona Leste de São Paulo, no último sábado (07), levanta suspeitas sobre uma possível intoxicação por produtos químicos utilizados no tratamento da água. O caso é investigado pelas autoridades, que apuram se houve falha na manipulação das substâncias.
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Especialistas alertam que o desequilíbrio químico em piscinas pode provocar desde irritações leves até complicações respiratórias graves e, em situações extremas, levar à morte.
Segundo a médica especializada em medicina legal e perícia médica Caroline Daitx, a exposição a produtos utilizados na limpeza e manutenção de piscinas pode causar diferentes reações no organismo, dependendo da concentração das substâncias, do tempo de contato e da sensibilidade individual.
“O contato com produtos químicos em piscinas com manutenção inadequada pode gerar uma série de riscos à saúde. Quando há excesso de substâncias como o cloro ou descontrole do pH da água, os efeitos podem variar de irritações leves até quadros clínicos graves”, explica.
Reações químicas podem gerar substâncias irritantes
De acordo com a perita, o próprio cloro pode reagir com suor, urina e outras matérias orgânicas presentes na água, formando subprodutos chamados cloraminas.
Essas substâncias são responsáveis pelo forte cheiro característico de piscinas e podem provocar irritações nos olhos, na pele e nas vias respiratórias, além de agravar doenças como a asma.
“Em situações mais graves, a exposição pode provocar queimaduras químicas na pele e nas mucosas. Já a inalação de vapores tóxicos pode causar inflamação severa do sistema respiratório, edema pulmonar e até a Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo, que pode ser fatal”, afirma.

Piscina (Reprodução/Freepik)
Sintomas podem surgir logo após a exposição
Os sinais de intoxicação química costumam aparecer rapidamente. Entre os sintomas mais comuns estão ardor e vermelhidão nos olhos, irritação na garganta e no nariz, tosse persistente, falta de ar e chiado no peito.
Náuseas, vômitos, tontura e dor de cabeça também podem ocorrer. Em quadros mais severos, a vítima pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória aguda.
“Em casos graves, pode ocorrer edema pulmonar e parada cardiorrespiratória, como foi relatado no caso investigado”, alerta a médica.
A médica reforça que usuários devem ficar atentos a sinais que possam indicar problemas na qualidade da água, como cheiro muito forte de produtos químicos, irritação imediata nos olhos ou dificuldades para respirar.
“Qualquer sintoma incomum deve ser levado a sério. O ideal é sair da água imediatamente e buscar orientação médica”, orienta.
Investigação envolve perícia no corpo e no ambiente
A confirmação da causa da morte depende de uma investigação médico-legal detalhada, que inclui análises tanto na vítima quanto no local do ocorrido.
Nos casos fatais, durante a autópsia são coletadas amostras biológicas como sangue, urina, tecidos e humor vítreo — líquido presente no globo ocular. Esses materiais passam por exames toxicológicos que utilizam técnicas como cromatografia e espectrometria de massas para identificar substâncias químicas.
Paralelamente, peritos analisam a água da piscina para verificar níveis de pH, cloro e presença de outros agentes químicos. Produtos utilizados na manutenção também podem ser recolhidos para avaliação laboratorial.
Apuração é multidisciplinar
Segundo Caroline Daitx, a investigação segue um processo que envolve diferentes etapas e profissionais.
A apuração começa com a análise do local, onde peritos avaliam condições de armazenamento dos produtos químicos, ventilação do ambiente e possíveis irregularidades na manutenção da piscina.
Depois, o corpo é encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exame externo e autópsia. Em seguida, são realizados exames toxicológicos e ambientais.
A Polícia Civil também conduz investigação paralela para apurar responsabilidades e verificar se houve negligência, imprudência ou imperícia na manipulação das substâncias.
“O médico legista reúne todas as informações da autópsia, dos exames laboratoriais e da investigação policial para determinar a causa da morte e se houve falha humana ou estrutural”, explica.
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