Um aparentemente simples erro de português pode custar milhões à Rede Globo. Em uma ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais, que veio a público nesta quinta-feira (19/2), a emissora está sendo acusada de “desserviço em escala nacional” e “lesão ao patrimônio cultural imaterial da língua portuguesa” por um erro de pronúncia recorrente de apresentadores de programas do canal.
Segundo o procurador Cléber Eustáquio Neves, responsável por mover a ação, o canal estaria ferindo o direito da população pelo erro contínuo da pronúncia da palavra “recorde”.
A palavra paroxítona, cuja pronúncia correta é “re-COR-de” estaria sendo pronunciada “RE-cor-de” pelos contratados do Jornal Nacional, Globo Esporte e Globo Rural, conforme constam nos autos.
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César Tralli, Renata Vasconcellos, Cristiana Sousa Cruz e William Bonner
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William Bonner e Sandra Annenberg
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Cesar Tralli no Jornal Nacional
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Renata Vasconcellos
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“A Globo atua como um braço do Estado na difusão de informações, portanto, a utilização da norma culta da Língua Portuguesa não é uma opção estética, mas um modelo de qualidade e eficiência administrativa”, argumenta o procurador.
“Ao difundir o erro de pronúncia em escala nacional, a Globo descumpre sua missão educativa e cultural, operando um verdadeiro desserviço à padronização linguística necessária para a unidade do país, conforme pretendido pelo Acordo Ortográfico de 1990″, acrescenta.
Além da indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, o procurador pede ainda que a emissora seja diariamente penalizada em R$ 50 mil em caso de nova incorrência da pronúncia errada ao longo da programação.
Até o momento, a Globo ainda não se manifestou sobre a ação, protocolada antes do Carnaval. Além disso, a emissora não apresentou ainda à Justiça Federal a manifestação da defesa.

