A investigação sobre a morte da corretora de imóveis Daiane Alves Souza (43), em Caldas Novas, no interior de Goiás, avançou com a confissão do síndico do prédio onde ela morava. Cléber Rosa de Oliveira admitiu o crime após 43 dias de apuração da Polícia Civil e indicou o local onde o corpo da vítima foi abandonado.
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Frieza após o desaparecimento chamou atenção
Durante o período em que Daiane era considerada desaparecida, Cléber demonstrou comportamento que chamou a atenção de moradores e investigadores. Em um áudio enviado ao grupo de mensagens do condomínio, ele pediu que os comentários sobre o sumiço da corretora cessassem. As informações foram divulgadas nesse domingo (1º) pelo programa Fantástico, da TV Globo.
“Bem chato esse negócio aqui. Eu vou pedir que cessem esses comentários sobre esse assunto no grupo”, disse o síndico na gravação.
A postura contrastava com a preocupação da família e de amigos da vítima, que buscavam informações sobre seu paradeiro.
Histórico de conflitos no condomínio
Segundo familiares, os conflitos entre Daiane e o síndico começaram em novembro de 2024, quando ela passou a administrar imóveis da própria família no condomínio. A função era anteriormente exercida por Cléber. Com o tempo, outros moradores também transferiram a gestão de seus apartamentos para a corretora, o que teria intensificado as desavenças.
“Essa questão da disputa de aluguéis é a questão de ele se sentir afrontado, de a Daiane nunca ter baixado a cabeça para ele e não aceitar as imposições dele. Eu acredito que isso mexeu com o ego dele”, afirmou Fernanda Souza, irmã da vítima.
Confissão e prisões
Após semanas de investigação, a Polícia Civil prendeu Cléber Rosa de Oliveira, que confessou o homicídio e levou os agentes até uma área de mata, a cerca de 15 metros de uma rodovia, onde o corpo foi abandonado. O filho do síndico, Maicon Douglas de Oliveira, também foi preso, suspeito de acobertar o crime e obstruir as investigações.
“Quarenta e três dias esperando um resultado do que aconteceu com ela, e o síndico andando normalmente, aparando grama, sabendo que a minha filha estava jogada no meio do mato”, desabafou Nilse Pontes, mãe de Daiane.
A defesa de Cléber afirmou que ele está colaborando com a polícia. Já os advogados de Maicon negam qualquer participação dele no homicídio.
Últimos registros da vítima foram decisivos
A última imagem de Daiane com vida foi registrada no dia 17 de dezembro de 2025, por uma câmera do elevador do prédio. Ela desceu ao subsolo e não voltou a ser vista. Naquele mesmo dia, a corretora gravou vídeos reclamando de mais uma queda de energia em seu apartamento e enviou os registros a uma amiga que mora em Uberlândia, em Minas Gerais.
“Ela já foi gravando em tempo real e me encaminhando. Ela ia descer até a recepção para questionar o que estava acontecendo”, contou a amiga, Georgiana dos Passos Silva.
De acordo com o delegado André Barbosa, responsável pelo caso, esses vídeos foram fundamentais para a investigação. O terceiro vídeo, que Daiane aparentava estar gravando, nunca chegou ao destino, o que reforçou a hipótese de homicídio.
Provas técnicas e dúvidas ainda em apuração
Imagens do carro do síndico também contribuíram para a apuração. O veículo foi flagrado seguindo em direção a uma rodovia e retornando minutos depois, em um tempo considerado incompatível com o trajeto normal. Testemunhas relataram que não ouviram disparos no horário do desaparecimento.
A perícia constatou que havia uma bala alojada na cabeça da corretora, mas ainda não foi esclarecido o local exato onde o disparo ocorreu. O celular da vítima foi encontrado na tubulação de esgoto da garagem do prédio, e a arma do crime segue desaparecida.
Das dez câmeras de segurança do condomínio, apenas três foram entregues à polícia. Os peritos analisam se houve desligamento ou manipulação dos equipamentos.
Áudio sobre proibição de trabalho antes do crime
Outro elemento revelado pela investigação é um áudio gravado semanas antes do assassinato, no qual Cléber afirma que Daiane estava proibida de trabalhar no condomínio. Na gravação, ele orienta a recepção a não prestar qualquer tipo de atendimento à corretora.
“Ela está proibida. A recepção não vai prestar serviço, atendimento a ela, não vai entregar ficha, não vai fazer nada”, afirmou o síndico no áudio.
Medo relatado antes do assassinato
Antes de desaparecer, Daiane chegou a relatar à Justiça que sofria ameaças. Em um e-mail enviado ao 2º Juizado Especial Cível e Criminal de Caldas Novas, a corretora afirmou temer pela própria vida e solicitou medidas de proteção.
Segundo o documento, as ofensas partiam de Maicon Douglas, filho do síndico, que também atuava com locações no condomínio. Ela relatou que as agressões tinham como objetivo afastá-la do trabalho no local.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que trabalha para esclarecer todos os detalhes da dinâmica do crime e a eventual participação de outros envolvidos.
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