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A NASA está convocando o público para colaborar na preparação contra futuras tempestades solares. Por meio do projeto Space Umbrella, ligado à missão Magnetosphere Multiscale (MMS), a agência busca voluntários para ajudar a analisar dados sobre os ventos solares e seus impactos na Terra.
A iniciativa faz parte de um esforço contínuo iniciado em 2015, quando a missão MMS foi lançada com quatro satélites em órbita quase equatorial. O objetivo é estudar um fenômeno conhecido como reconexão magnética, processo fundamental para entender como a energia do Sol interage com a magnetosfera terrestre e pode desencadear efeitos significativos no planeta.

Como a missão MMS monitora os ventos solares
A missão MMS está prestes a completar 16 anos de pesquisa contínua. Desde o lançamento, os quatro satélites coletam dados detalhados sobre os ventos solares altamente energizados e sobre a forma como essas partículas interagem com o campo magnético da Terra.
A magnetosfera funciona como um escudo protetor contra a radiação cósmica. Sem ela, a radiação teria inviabilizado o desenvolvimento de vida no planeta. Ainda assim, os ventos solares conseguem provocar impactos. O exemplo mais conhecido é o Evento Carrington, registrado em 1859, quando uma intensa tempestade solar gerou auroras visíveis até a América do Sul e chegou a incendiar fios de telégrafo.
Hoje, um fenômeno semelhante poderia comprometer redes elétricas, sistemas de GPS, satélites e outras infraestruturas eletrônicas interligadas. Por isso, uma coalizão internacional formada por especialistas em preparação para emergências, astrônomos e agências governamentais trabalha para ampliar o conhecimento sobre esses eventos.
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O que é o Space Umbrella?
O projeto Space Umbrella foi criado para identificar quando ocorre a reconexão magnética. Segundo o site da missão, o fenômeno acontece quando os campos magnéticos do Sol e da Terra se alinham ou se separam, transferindo energia de forma explosiva entre eles. Esse processo é relevante não apenas para o Sol e a Terra, mas para outros planetas e regiões do universo.
Para participar, não é necessário ter formação em astrofísica. Após um tutorial introdutório, voluntários analisam imagens espectrais que representam 10 minutos de dados coletados pelos quatro satélites. Um trecho de um minuto é destacado, e o participante deve classificar se ele mostra a magnetosfera, a região conhecida como “sheath” — área mais próxima do Sol que reúne partículas solares e planetárias — ou uma combinação das duas.

As diferenças podem ser identificadas pela cor, largura e posicionamento das faixas no espectro. O site também oferece fórum ativo, atualizações regulares e eventos especiais para os colaboradores.
Até agora, quase 600 mil classificações já foram registradas. Mesmo assim, o projeto está estimado em apenas 40% concluído, indicando que ainda há uma grande quantidade de dados a ser analisada.
