Mesmo com queda de casos, sorotipo mais agressivo da dengue pode chegar ao Acre

Trata-se do DENV-3, variante do vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, recentemente detectada em Rondônia

Um sorotipo da dengue considerado mais agressivo e que voltou a se espalhar pelo Brasil após mais de 15 anos pode representar uma nova ameaça ao Acre. Trata-se do DENV-3, variante do vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, recentemente detectada em Rondônia, conforme aponta o boletim mais atual da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), referente às três primeiras semanas epidemiológicas do ano.

Até a 52ª semana epidemiológica de 2024, foram notificados 6.346 casos prováveis de Dengue/Foto: Prefeitura Municipal de Cruzeiro do Sul

O alerta das autoridades sanitárias se deve ao fato de que uma parcela significativa da população não teve contato recente com esse sorotipo, o que significa baixa ou nenhuma imunidade coletiva. Essa condição pode facilitar a ocorrência de surtos, elevar o número de internações e aumentar a gravidade dos casos registrados.

Segundo dados do boletim epidemiológico mais recente, o Acre contabilizou, até o último sábado (24), 485 casos prováveis de dengue, dos quais 24 foram confirmados. Até o momento, não há registro de óbitos nem de casos classificados como graves. Embora os números indiquem uma redução em comparação com 2025, a eventual introdução do DENV-3 tem potencial para alterar rapidamente esse cenário.

O DENV-3 é reconhecido por sua associação com quadros clínicos mais severos da doença. Entre as possíveis complicações estão sangramentos, queda da pressão arterial, comprometimento de órgãos e evolução para dengue grave, inclusive em pessoas que nunca tiveram contato prévio com o vírus. O risco se torna ainda maior em situações de reinfecção por sorotipos diferentes.

Os sintomas iniciais são semelhantes aos de outras variantes da dengue e incluem febre alta, dores intensas no corpo e nas articulações, dor atrás dos olhos, náuseas, manchas avermelhadas na pele e coceira. As autoridades de saúde orientam que a população procure atendimento médico imediato diante de sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sonolência excessiva ou qualquer tipo de sangramento.

Atualmente, apenas os sorotipos DENV-1 e DENV-2 foram identificados em circulação no Acre. No entanto, como os quatro tipos do vírus estão presentes no território nacional, a reintrodução do DENV-3, especialmente em períodos de maior transmissão, representa um risco adicional para o estado.