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Megacidade futurista na Arábia Saudita passa por mudança radical e pode virar data center

Megacidade futurista na Arábia Saudita passa por mudança radical e pode virar data center

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O projeto Neom, símbolo máximo da transformação econômica da Arábia Saudita, está passando por uma mudança radical. No centro dessa reformulação está a The Line, megacidade futurista no deserto.

A proposta original previa uma cidade de 170 quilômetros de extensão cortando o deserto na província de Tabuk. O projeto incluía dois arranha-céus paralelos de 500 metros de altura, energia 100% renovável e ausência total de carros, com deslocamento feito por uma linha de metrô subterrânea de alta velocidade. A meta era concluir a obra até 2030 e abrigar cerca de 1,5 milhão de moradores.

O Neom, que inclui outros projetos de estruturas futuristas, foi anunciado em 2017 pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, com o objetivo de diversificar a economia do país com foco em inovação e turismo. Com investimento estimado em mais de US$ 1 trilhão, a proposta engloba iniciativas igualmente ambiciosas, como um distrito industrial flutuante e até uma pista de esqui no deserto.

A escala do empreendimento chegou a ser comparada a marcos históricos, como as pirâmides do Egito e a Grande Muralha da China.

Apesar do ritmo acelerado das obras, surgiram sinais de que o plano poderia ser grande demais para a realidade financeira do país. Em 2024, foi anunciado que, até o fim da década, apenas cerca de 2,4 quilômetros da The Line estariam concluídos – o suficiente para receber 300 mil pessoas. Os números são muito abaixo do esperado.

Com isso, os planos tiveram que mudar. Segundo uma reportagem do Financial Times baseada em uma auditoria interna, o projeto deverá passar por mudanças drásticas, deixando a cidade mais enxuta. A nova estratégia prevê reaproveitar a infraestrutura já construída e transformar parte da The Line em um grande data center, com foco em inteligência artificial e serviços digitais.

A localização costeira é vista como vantagem estratégica, permitindo o uso de água do mar para resfriamento das instalações, enquanto a geração de energia continuaria apoiada em fontes renováveis, como a solar. Também deve haver maior ênfase no desenvolvimento industrial dentro do complexo Neom.

Canteiro de obras da The Line
Nem a construção em ritmo acelerado foi suficiente para bater a meta de prazos da The Line (Imagem: Divulgação / Neom)

Problemas financeiros afetaram a The Line

O aperto financeiro ajuda a explicar a mudança de rumo. O Fundo de Investimento Público (PIF), responsável por financiar os chamados “gigaprojetos” do país, sofreu redução bilionária no valor destinado a empreendimentos domésticos após a queda nos preços do petróleo.

Além disso, a Arábia Saudita assumiu compromissos internacionais de grande porte, como sediar a Expo 2030 e a Copa do Mundo de 2034, o que exige priorização de recursos e prazos.

O recuo atinge outros empreendimentos icônicos. Um projeto de edifício monumental em formato de cubo foi cancelado por questões orçamentárias, e mudanças na liderança do Neom reforçaram a percepção de ajustes estruturais em andamento.

Ainda assim, o reino mantém uma carteira robusta de construções. Além da promessa de erguer o novo edifício mais alto do mundo, o complexo turístico de Qiddiya segue em desenvolvimento e já inaugurou um parque temático da Six Flags.

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