Passados quase dez meses da morte de João Vitor da Silva Borges, a auxiliar de serviços gerais Maria Verônica Bezerra da Silva ainda convive diariamente com a ausência do filho. O jovem, de 21 anos, foi encontrado sem vida no dia 11 de março de 2025, às margens do Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. Desde então, a rotina da mãe é marcada por saudade, luto e espera por justiça.

João Vitor desapareceu no dia 8 de março de 2025, após sair de casa sem informar o destino: Foto/Reprodução
Mãe solo, Maria Verônica relembra que criou João Vitor sozinha desde a gestação e descreve o filho como seu maior apoio emocional. A perda, segundo ela, tornou ainda mais difícil datas simbólicas, como o primeiro Natal vivido sem a presença do jovem.
“Ele era meu parceiro. Enfrentei tudo sozinha para criar e educar meu filho. Esse foi meu primeiro Natal sem ele e foi um dos piores momentos da minha vida, porque me lembrava de 2024, quando passamos juntos o Natal e o Ano Novo”, desabafou.
João Vitor desapareceu no dia 8 de março de 2025, após sair de casa sem informar o destino. Três dias depois, o corpo foi localizado no Rio Juruá. As investigações indicaram que o crime teria relação com um episódio ocorrido cerca de um mês antes da morte, quando o jovem ajudou a conter um homem durante uma abordagem policial no Centro de Cruzeiro do Sul.
Conforme a Polícia Civil, antes de ser assassinado, João Vitor foi submetido ao chamado “tribunal do crime”, prática atribuída a facções criminosas.
A mãe relata que o sofrimento é constante e que, nos primeiros meses após a tragédia, precisou de apoio psicológico disponibilizado pela Secretaria Estadual da Mulher (Semulher).
“Tem dias que preciso me segurar para não pensar no sofrimento dele na hora em que estava sendo executado. Me apego muito a Deus para tirar esse pensamento da minha cabeça, mas não é fácil”, contou.
Além de ser conhecido entre amigos e seguidores por produzir vídeos de humor nas redes sociais, João Vitor tinha planos para o futuro. Segundo Maria Verônica, ele havia sido sorteado para participar de um curso de eletricista no Senai, o que aumentava as expectativas por uma vida melhor.
Maria Verônica afirma que o julgamento dos três primeiros réus acusados pelo crime está previsto para fevereiro. Ela diz se preparar emocionalmente para enfrentar o júri, mesmo sabendo que o processo deve reabrir feridas ainda recentes.
Durante a sessão, a acusação deve apresentar provas consideradas decisivas, incluindo um vídeo que teria registrado o momento da execução.
“Era um menino muito bom, meu companheiro. Estou aprendendo a viver com isso, mas não esqueço nunca. Lembro como se fosse hoje do dia em que ele saiu de casa pela última vez, se despediu de mim e não falou para onde ia”, relatou.
O caso
Em julho de 2025, durante a prisão de um dos suspeitos, o delegado Heverton Carvalho explicou que a motivação do crime estaria ligada à participação de João Vitor em uma abordagem da Polícia Militar, registrada em vídeo por populares.
As imagens mostravam o jovem ajudando a imobilizar G.F.C., que acabou liberado após a polícia não encontrar nenhuma irregularidade. Segundo o boletim de ocorrência, após ser solto, o homem teria exigido uma punição pela atitude de João Vitor, dando início a uma sequência de eventos que resultou no assassinato.
Ainda conforme a Polícia Civil, João Vitor foi atraído por uma amiga identificada como F.F.L., de 27 anos, e levado por um carro de aplicativo até o bairro Cohab, onde foi executado.
Com informações do G1.