O Fantástico apresentou novos detalhes sobre o caso de intoxicação ocorrido durante uma aula de natação em uma academia de São Paulo, que terminou com a morte de uma aluna. Em imagens gravadas na UTI, Vinícius de Oliveira relatou como tudo começou enquanto nadava com a esposa, Juliana Bassetto.
Segundo ele, após o início da atividade, ambos passaram a sentir ardência no peito e dificuldade para respirar. “A gente estava nadando já fazia uns 15 minutos. E aí acho que foi o momento em que a mistura foi feita. Eu lembro que eu estava na raia da direita e já encostei na parede sufocando, sentindo o peito ardendo”, disse.
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O episódio ocorreu na academia C4 Gym. Após saírem da área da piscina, os dois foram ao hospital. “Minha reação foi sair da piscina e pedir socorro. Só que aí eu olhei pra trás e a Ju estava tendo a mesma reação que eu. Aí eu voltei para ajudar ela. Aí a gente conseguiu subir ela e a gente evacuou ela da piscina.”
Em seu relato, ele defendeu maior rigor na fiscalização e no controle de substâncias utilizadas em piscinas, destacando que falhas desse tipo podem ter consequências fatais. O caso levanta debate sobre protocolos de segurança e manutenção em ambientes aquáticos coletivos.
Função improvisada na aplicação de produtos
O caso de intoxicação na piscina apontam falhas no controle dos produtos químicos usados na manutenção. O responsável por manusear as substâncias não era um técnico especializado, mas o manobrista Severino José da Silva, que seguia orientações repassadas à distância pelo dono da academia, Celso Bertolo Cruz.
De acordo com a defesa, a rotina consistia em registrar diariamente a medição da água e enviar fotos do visor do medidor por aplicativo de mensagens. Com base nessas imagens, o proprietário indicava quais produtos deveriam ser aplicados e em que quantidade, sem análise técnica presencial.
“Todos os dias pela manhã, ele fazia a medição da água e enviava uma foto do medidor por aplicativo de mensagem para o proprietário, para o Celso. A partir disso, o proprietário, Celso, encaminhava quais eram os produtos e quais as quantidades ele deveria utilizar”, diz a advogada de Severino, Bárbara Bonvicini.
Mistura de produtos químicos pode gerar gás tóxico
Estudos conduzidos por especialistas do Instituto de Química da USP apontam que a combinação inadequada de produtos usados no tratamento de piscinas, como hipoclorito de cálcio, dicloro isocianurato e agentes ácidos para ajuste de pH, pode gerar liberação de gás cloro.
Em ambientes fechados ou quando há grande volume da reação, a substância pode atingir concentrações perigosas, já que o gás é reconhecido pelo alto potencial tóxico ao ser inalado.
Ao entrar em contato com olhos, nariz e pulmões, o cloro pode provocar forte irritação, dificuldade respiratória e quadros de intoxicação que exigem atendimento médico imediato. Segundo os pesquisadores, reações químicas feitas sem controle técnico elevam significativamente o risco para frequentadores e funcionários.
Relembre o caso
No último sábado (7), uma tragédia marcou a C4 Gym, localizada no Parque São Lucas, zona leste de São Paulo. Uma aluna, Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu após sofrer uma parada cardíaca durante aula de natação, enquanto pelo menos outras seis pessoas foram internadas em estado grave devido à exposição à água da piscina.
Juliana estava acompanhada do marido, Vinicius de Oliveira, de 31 anos, que também apresentou mal-estar após a aula. Ambos se dirigiram, por conta própria, ao Hospital Santa Helena, em Santo André, no ABC paulista. Juliana não resistiu, e Vinicius permaneceu internado em estado grave. O caso foi registrado no 6º Distrito Policial de Santo André.
Além deles, há registros de pelo menos outro paciente em estado grave no Hospital Vila Alpina, na zona leste de São Paulo. Um menor de idade também precisou de atendimento médico após apresentar dificuldades respiratórias na piscina, acompanhado do pai. Outra aluna, de 29 anos, foi internada na UTI com sintomas de náuseas, vômitos e diarreia.
O episódio reforça a necessidade de fiscalização rigorosa e manutenção adequada em piscinas de academias, destacando os riscos à saúde em casos de manejo inadequado da água e produtos químicos.
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