IDAF intensifica força-tarefa no Vale do Juruá para combater a monilíase em frutos de cupuaçu e caca

Segundo Maísa, o primeiro registro da monilíase no Brasil ocorreu em Cruzeiro do Sul, em 2021

O Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (IDAF) iniciou uma força-tarefa no Vale do Juruá para reforçar as ações de combate à monilíase, doença que atinge frutos de cupuaçu e cacau e representa uma séria ameaça à produção regional. A informação foi confirmada pela engenheira agrônoma Maísa Bravin, coordenadora das ações de controle da praga na região.

Foto/Reprodução

Segundo Maísa, o primeiro registro da monilíase no Brasil ocorreu em Cruzeiro do Sul, em 2021, e desde então o IDAF mantém atuação contínua para impedir a disseminação da doença. A nova força-tarefa reúne equipes de diversos municípios, que se somam aos trabalhos já desenvolvidos no Vale do Juruá.

As ações de enfrentamento estão organizadas em quatro frentes principais. A primeira é o monitoramento de áreas onde ainda não há registro da doença, com o objetivo de evitar que a praga alcance zonas de plantio. A segunda é a barreira fitossanitária instalada no Rio Liberdade, na divisa entre Cruzeiro do Sul e Tarauacá, onde veículos são abordados para impedir o transporte irregular de frutos de cupuaçu e amêndoas de cacau.

A terceira frente envolve educação sanitária, com entrevistas, orientações à população e blitz educativas em mercados. Já a quarta ação é a poda fitossanitária, que consiste no controle direto da doença nos locais onde ainda há registros da monilíase.

A coordenadora explicou que a identificação da doença é complexa nos estágios iniciais, pois a contaminação começa no interior do fruto. Com a evolução, surgem manchas externas acompanhadas por um pó branco denso. Ao identificar qualquer sinal suspeito, a orientação é que produtores ou moradores entrem em contato com o IDAF nos municípios de Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves ou Mâncio Lima, para que técnicos realizem a verificação.

Atualmente, Cruzeiro do Sul concentra o maior número de focos, principalmente na zona urbana. Na área rural, os registros são mínimos, o que, segundo Maísa Bravin, demonstra a eficiência das medidas de contenção. Em Mâncio Lima e Rodrigues Alves, os focos identificados foram 100% eliminados, e novas vistorias continuam sendo realizadas.

Maísa reforçou que o apoio da população é fundamental para o sucesso do trabalho. Ela destacou que o objetivo das ações não é eliminar plantações, mas evitar que a praga comprometa a produção regional, já que a monilíase pode destruir até 100% dos frutos de uma planta infectada se não houver controle adequado.

O trabalho recebeu ainda reforço financeiro do governo federal. No início do ano, o Ministério da Agricultura firmou um convênio com o IDAF, destinando cerca de R$ 2 milhões para a aquisição de equipamentos e manutenção das ações de controle. O investimento evidencia a relevância do combate à monilíase não apenas para o Acre, mas para a segurança da produção agrícola em nível nacional.