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Hubble registra espetáculo de luz em torno de estrela morrendo

Hubble registra espetáculo de luz em torno de estrela morrendo

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Uma imagem impressionante capturada pelo Telescópio Espacial Hubble, da NASA em parceria com a Agência Espacial Europeia (ESA), foi divulgada nesta terça-feira (10). O registro mostra a Nebulosa do Ovo, em um show de luzes e sombras criadas por poeira recém-ejetada da estrela central, revelando detalhes nunca antes vistos dos estágios finais de um astro.

Localizada a cerca de 1.000 anos-luz da Terra, na constelação de Cisne, a nebulosa esconde sua estrela central em uma nuvem densa de poeira, parecendo uma “gema” dentro de uma “clara” escura. Segundo a NASA, somente o Hubble consegue mostrar a complexidade dessa estrutura.

Em resumo:

O Telescópio Espacial Hubble obteve a imagem mais nítida já registrada da Nebulosa do Ovo. Crédito:  NASA, ESA, Bruce Balick (Universidade de Washington)

Essa é a nebulosa pré-planetária mais próxima e jovem já registrada. Esse tipo de estrutura é formado quando estrelas semelhantes ao Sol liberam suas camadas externas até se tornarem nebulosas planetárias. Apesar do nome, não tem relação com planetas.

Nebulosa do Ovo está fase de em transição

Estudar a Nebulosa do Ovo ajuda a entender o estágio final da vida das estrelas. A luz da estrela escapa por um “olho” polar na poeira e ilumina o disco expelido há algumas centenas de anos. Essa fase dura apenas alguns milhares de anos, tornando a observação única.

Feixes gêmeos de luz atravessam lóbulos polares e arcos concêntricos mais antigos. A forma dessas estruturas indica que outras estrelas companheiras podem estar escondidas no disco de poeira, influenciando os movimentos.

Estrelas como o Sol perdem suas camadas externas ao esgotar o hidrogênio e hélio. O núcleo quente ioniza o gás ao redor, formando conchas brilhantes observadas em nebulosas planetárias, como a da Borboleta e da Hélice. A Nebulosa do Ovo ainda está em transição, antes de se tornar uma nebulosa planetária.

Imagem da Nebulosa do Ovo obtida pelo Hubble em 1996. Crédito: Raghvendra Sahai e John Trauger (JPL), equipe científica do WFPC2 – NASA / ESA

Os padrões simétricos da nebulosa não vêm de explosões violentas, como supernovas, mas de eventos coordenados no núcleo da estrela, rico em carbono. Essa poeira antiga ajudou a formar sistemas estelares, como o nosso, há bilhões de anos.

Leia mais:

Não é o primeiro registro que o Hubble faz da estrutura

O Hubble já havia fotografado a Nebulosa do Ovo várias vezes. Em 1997, imagens em infravermelho capturadas pela Câmera Infravermelha Próxima e Espectrômetro Multialvo (NICMOS) mostraram mais detalhes da poeira. Em 2003, a Câmera Avançada de Pesquisa (ACS) revelou ondulações ao redor da nebulosa, e em 2012, a Câmera de Campo Amplo 3 (WFC3) destacou fluxos de gás e a nuvem central.

A nova imagem combina dados anteriores com novas observações, fornecendo a visão mais nítida e detalhada do “ovo cósmico”. Registros como esses ajudam cientistas a entender melhor como as estrelas morrem e liberam material que pode formar novos sistemas planetários.

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