Homem cria chave Pix falsa para desviar doações do tratamento de criança com doença rara

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou um homem de 22 anos por estelionato após ele criar uma chave Pix falsa para desviar doações destinadas ao tratamento de Arthur Jordão Lara, criança diagnosticada com distrofia muscular de Duchenne (DMD), uma doença genética rara, progressiva e degenerativa.

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Segundo a denúncia, Henrique Santos de Moreira, morador de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, registrou em sua conta bancária a chave Pix [email protected], muito semelhante à chave oficial divulgada pela família da criança nas redes sociais, que é [email protected]. A ausência do “.br” teria sido usada como artifício para induzir doadores ao erro.

De acordo com o MP, em 11 de novembro de 2025, uma das vítimas realizou uma transferência de R$ 50 acreditando estar contribuindo com a campanha oficial. Já em 30 de dezembro do mesmo ano, outra pessoa doou R$ 300 para a mesma chave fraudulenta. Ao todo, o acusado teria se apropriado de R$ 350.

A promotoria afirma que Henrique agiu por duas vezes com uso de “artifício fraudulento” e pede sua condenação com base no Código Penal. Além disso, o Ministério Público solicitou que ele seja citado para apresentar defesa e que seja fixado o valor mínimo de R$ 1 mil como indenização pelos danos causados às vítimas.

Apesar do valor desviado ser considerado pequeno, a denúncia ressalta a relevância social do caso, já que a campanha oficial da família busca arrecadar cerca de R$ 17 milhões para custear o medicamento necessário ao tratamento de Arthur, que tem alto custo e não é fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Família alertou para golpes

Após identificar tentativas de fraude, a família de Arthur Jordão Lara fez alertas públicos nas redes sociais sobre a existência de chaves Pix falsas sendo divulgadas em nome da campanha. Segundo a família, criminosos estariam se aproveitando da mobilização em torno do caso para aplicar golpes, especialmente na região de Sorocaba.

A orientação é para que os doadores sempre verifiquem se a chave Pix utilizada é a correta e confirmem se o nome exibido como destinatário da transferência corresponde ao de Arthur Jordão Lara.

Caso Arthur

Arthur foi diagnosticado com distrofia muscular de Duchenne, uma doença genética rara que provoca fraqueza muscular progressiva. Conforme a família, a expectativa é que a criança perca a capacidade de andar por volta dos 11 anos, necessite de respirador aos 20 e tenha expectativa de vida reduzida.

Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu, em caráter excepcional, o registro do primeiro medicamento de terapia gênica aprovado no Brasil para tratar a doença. A indicação, no entanto, é restrita a crianças que ainda caminham de forma independente e que tenham entre quatro e sete anos de idade.

A família segue mobilizada para garantir o acesso ao tratamento e reforça os alertas para evitar novos golpes envolvendo a campanha solidária.

 

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