
A Argentina amanheceu paralisada nesta quinta-feira (19/2) devido a uma greve geral convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT). O movimento, que protesta contra a reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei, já reflete diretamente nos principais aeroportos brasileiros, com dezenas de voos cancelados e milhares de passageiros afetados em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
A paralisação teve início à meia-noite e coincide com o início das discussões da reforma na Câmara dos Deputados. O governo respondeu com medidas de segurança rígidas, incluindo restrições inéditas à imprensa nos arredores do Congresso.
Impacto nos Aeroportos Brasileiros
As principais companhias que operam a rota Brasil-Argentina precisaram ajustar suas malhas aéreas:
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Guarulhos (SP): Pelo menos dois voos da Latam foram cancelados logo no início da manhã. A Gol também confirmou suspensões em suas operações.
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Galeão (RJ): O aeroporto carioca registrou o maior impacto, com 16 cancelamentos de chegada e 15 de partida com origem ou destino no país vizinho.
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Brasília (DF): Um voo da Gol com destino a Buenos Aires, previsto para as 9h, foi cancelado.
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Porto Alegre (RS): Registrou cancelamentos no Aeroporto Salgado Filho para voos noturnos.
Entenda a Reforma de Javier Milei
O texto em debate é considerado a maior mudança na legislação trabalhista argentina em décadas. O projeto busca reduzir custos para estimular o emprego formal, mas enfrenta forte resistência sindical. Os principais pontos incluem:
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Restrição a Greves: Exigência de manutenção de 50% a 75% dos serviços em setores essenciais.
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Flexibilização de Jornada: Permissão para jornadas de até 12 horas diárias sem pagamento de horas extras, desde que compensadas.
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Período de Experiência: Ampliação do prazo para até seis meses (podendo chegar a um ano em certos casos).
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Indenizações: Redução no cálculo de multas e possibilidade de parcelamento dos valores de demissão.
Orientações aos Passageiros
A Aerolíneas Argentinas anunciou o cancelamento de 255 voos, afetando cerca de 31 mil pessoas. As empresas recomendam que os passageiros não se dirijam aos aeroportos sem antes confirmar o status do voo via aplicativo ou site oficial.
Enquanto as ruas de Buenos Aires se preparam para uma onda de protestos, o governo de Javier Milei mantém a postura firme, afirmando que “diante de atos de violência, as forças agirão”. A votação final da reforma na Câmara é esperada para o dia 25 de fevereiro.
Boeing 737-887, da companhia Aerolíneas Argentinas, decola no aeroporto Jorge Newbery, em Buenos Aires, na Argentina. — Foto: Reuters
Fonte: G1
Redigido por: ContilNet