Família de adolescente envolvido no caso Orelha fala pela primeira vez: ‘Pior momento’

A família de um adolescente citado em acusações que circularam nas redes sociais no caso da morte do cão comunitário Orelha se pronunciou publicamente após a conclusão do inquérito policial. A investigação, conduzida pela Polícia Civil de Santa Catarina, foi encerrada sem o indiciamento do jovem, afastando qualquer responsabilidade dele tanto pela morte de Orelha quanto por fatos relacionados ao cão Caramelo e outros delitos ocorridos na Praia Brava, em Florianópolis.

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Em despacho oficial, o delegado Renan Balbino Silva Araújo destacou que, diante da análise de testemunhos, imagens e relatórios reunidos durante a apuração, a condição do adolescente deveria ser alterada de investigado para testemunha. Segundo o delegado, não há elementos que apontem a autoria dos fatos ao jovem.

A manifestação da família ocorre após semanas de intensa repercussão pública. De acordo com os pais, o período foi marcado por boatos, julgamentos antecipados, ameaças e exposição criminosa do adolescente e de seus familiares nas redes sociais.

Na nota divulgada, os pais classificaram o episódio como “o pior momento” de suas vidas. Eles afirmam que a conclusão da investigação confirmou aquilo que a família sustentou desde o início: que o filho não teve qualquer participação nos fatos investigados.

“O inquérito reconheceu que nosso filho não tem qualquer relação com o ocorrido e não cometeu qualquer crime, nem contra animais, nem atos de vandalismo”, diz o texto. A família relata que, apesar do alívio com o encerramento da investigação, o sofrimento vivido ao longo das semanas deixou marcas profundas.

Segundo a nota, a família foi alvo de mentiras, incitação à violência, crimes digitais e até boicotes a atividades empresariais. Os pais ressaltam que a indignação social pela morte de um cão comunitário é legítima, mas afirmam que houve extrapolação dos limites quando surgiram narrativas difamatórias que colocaram em risco a segurança do adolescente e de seus familiares.

Os pais afirmam ainda que pretendem buscar reparação legal pelos danos sofridos, não por revanchismo, mas como forma de afirmar que crimes digitais e difamações não podem ser naturalizados. Eles também defendem a necessidade de um debate mais amplo sobre violência digital, julgamentos sumários e destruição de reputações no ambiente online.

Ao final da manifestação, a família afirma que seguirá em frente com foco na reconstrução pessoal e familiar. “A verdade sobre nosso filho apareceu. E é com ela, e não com o ódio, que escolhemos seguir”, conclui a nota assinada por Evandro Daux Mussi Boabaid e Fabiana Boabaid.

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