O radialista Donizete Garcia, da Rádio Sir FM, provocou forte repercussão nesta sexta-feira (13) ao comentar, durante programa ao vivo, o caso de Thales Naves Alves Machado, secretário de Governo de Itumbiara (GO). O crime, que chocou o país, envolveu disparos contra os próprios filhos.
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Durante a transmissão, o comunicador afirmou que haveria “motivos” para o crime e declarou que, na visão dele, o autor teria direcionado a violência contra a esposa, e não contra as crianças, fala que gerou imediata reação negativa.
O programa começou com a exibição de uma reportagem sobre o caso. No estúdio, o diretor municipal Fernando Ceribelli lamentou o ocorrido:
“Coitados dos filhos. Eles têm algo a ver com a traição? Ele vai lá e tira a vida das crianças. É algo triste e inexplicável.”
Na sequência, Donizete questionou a apuração das motivações e mencionou supostos vídeos envolvendo a esposa do autor. Em tom controverso, afirmou que, diante da situação, “no máximo” a violência teria sido direcionada contra a mulher, comentário seguido de risada no ar.
Ceribelli reagiu imediatamente, discordando:
“Não. Vai viver sua vida. Se não deu certo com uma mulher, vai para outra.”
Reação jurídica e debate sobre violência de gênero
A advogada criminalista Maria Clara Barboza classificou a declaração como “extremamente grave” e alertou para o impacto social de falas desse tipo. Segundo ela, o episódio envolve violência de gênero e não pode ser relativizado.
“O Brasil bateu recordes recentes de feminicídio. Comentários como esse reforçam uma cultura que naturaliza a violência contra as mulheres.”
A especialista ressaltou que nenhuma circunstância, incluindo suspeitas de traição, justifica um crime, e advertiu que discursos assim podem reforçar a culpabilização da vítima.
As vítimas
O filho mais velho, de 12 anos, Miguel Araújo Machado chegou a ser socorrido e levado a uma unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos. O irmão mais novo, de 8 anos, Benício Araújo Machado foi internado em estado crítico, recebeu atendimento intensivo, porém morreu horas depois.
Investigação
No momento da tragédia, Sarah, mãe das crianças e esposa o secretátrio, estava em viagem a São Paulo. Antes de cometer o crime, Thales publicou uma carta de despedida nas redes sociais, na qual pediu desculpas a amigos, relatou problemas conjugais e alegou uma suposta traição da esposa.
Em nota oficial, a Polícia Civil de Goiás informou que o caso é tratado como “homicídio consumado, seguido de autoextermínio”. A corporação ressaltou que, até o momento, não há indícios de participação de terceiros e que a dinâmica exata dos fatos segue sob apuração técnica.
*O suicídio pode ser prevenido. Saber reconhecer os sinais de alerta em si mesmo ou em alguém próximo a você pode ser o primeiro e mais importante passo. Por isso, fique atento se a pessoa demonstra comportamento suicida e procure ajudá-la com ajuda médica. Conte também com o CVV pelo telefone 188.
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