Uma escola samba chamada Acadêmicos de Niterói, que estreia no Grupo Especial do Rio de Janeiro, vai fazer propaganda eleitoral antecipada de Lula.
O tema da escola é “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A princípio, ignorante que sou, achei que mulungu fosse um tipo de cachaça.
Palpite errado: não é cachaça, mas uma árvore de flores vermelhas, a cor do PT.
A letra do samba é igualmente sutil na propaganda de Lula e do seu partido. Diz que “em Niterói, o amor venceu o medo”, incluí versos como “por ironia, treze noites, treze dias me guiou Santa Luzia, São José alumiou da esquerda de Deus Pai, da luta sindical à liderança mundial” e tem como refrão “olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”.
A Advocacia-Geral da União recomendou que ministros não participassem do desfile para evitar questionamentos da oposição na Justiça eleitoral. Vão assistir à pouca vergonha de um camarote especial, ao lado do candidato Lula.
Janja, contudo, recebeu sinal verde e vai desfilar na Sapucaí, trepada em um carro alegórico da Acadêmicos de Niterói. Marisa era um modelo de compostura, quem diria.
O nome do ator que vai interpretar o candidato petista está para ser divulgado; já se sabe que o humorista chapa-branca Marcelo Adnet aparecerá como Jair Bolsonaro. Ou seja, no ato de campanha antecipada de Lula, o ex-presidente será ridicularizado.
Como toda ilegalidade cometida pelo governo do PT, o desfile da Acadêmicos de Niterói recebeu financiamento público.
A Embratur deu R$ 12 milhões do dinheiro dos pagadores de impostos à liga de escolas de samba do Rio de Janeiro, que repassou R$ 1 milhão para cada agremiação. Teria sido mais honesto se a bufunfa fosse do fundo eleitoral do PT.
As escolas de samba cariocas são conhecidas pela sabujice. De Getúlio Vargas a Juscelino Kubistchek, passando por Anthony Garotinho, elas já protagonizaram momentos impudentes de chaleiragem.
Com a Acadêmicos de Niterói, porém, temos o ápice da bajulação — e da ilegalidade. O seu desfile é campanha antecipada, descarada, do candidato Lula.
Um dos versos do sambinha da escola é “eu vi brilhar a estrela de um país no choro de Luiz, a luz de Garanhuns, lugar onde a pobreza e o pranto se dividem para tantos e a riqueza multiplica para alguns”.
Ao ler o verso sobre a pobreza dividida para tantos e a riqueza multiplicada para alguns, pensei em Lulinha, engraçado. Ele não desfilará nem dará as caras no camarote dos ministros. Está em Portugal, tão longe e tão perto da roubalheira no INSS.

