Descartes, filósofo francês: ‘Penso, logo posto.’ O que explicaria a obsessão por likes?

Siga o Olhar Digital no Google Discover

Para Descartes, a existência era garantida pelo ato íntimo do pensamento. Não dependia de plateia. O cogito era silencioso, quase monástico.No cenário digital, porém, a lógica se inverteu: o eu parece precisar de testemunhas. Se ninguém viu, aconteceu? Se ninguém curtiu, foi relevante?

Descartes diria que estamos confundindo evidência externa com certeza ontológica. A consciência não precisa de aplauso para ser real. Ela se basta. O like, nesse contexto, seria uma prova frágil, quase um eco distante tentando substituir a voz interior.

Como Descartes explicaria sua obsessão por likes nos dias de hoje?

Segundo a revista Psychology Today, a busca por aprovação social ativa circuitos dopaminérgicos associados à recompensa. O cérebro interpreta cada notificação como uma pequena medalha invisível.

Descartes talvez chamasse isso de uma paixão da alma, algo que precisa ser examinado com cautela racional. A dúvida metódica serviria como antídoto:

  • Essa validação confirma minha essência?
  • Ou apenas alimenta minha imagem?
  • Estou pensando… ou performando pensamento?

Quando a confirmação externa substitui a reflexão interna, o eu se torna dependente de espelhos. E espelhos não pensam. Apenas refletem.

🤳 O Cogito Digital

A transição do “penso, logo existo” para o “sou visto, logo existo” nas plataformas.

🌀 O Ciclo da Validação

A dependência emocional de métricas de engajamento para sustentar a autoestima.

🧘 Resgate do Eu

O retorno à reflexão interna como forma de escapar da ditadura da visibilidade.

Quais os perigos de trocar o eu interior pela imagem pública?

A fragmentação da identidade ocorre quando priorizamos a narrativa visual em detrimento da vivência real dos momentos e emoções. Além disso, essa desconexão gera um vazio existencial que nenhuma quantidade de notificações consegue preencher de maneira duradoura ou significativa. Contudo, a sociedade contemporânea recompensa a exibição, o que torna o isolamento reflexivo uma tarefa cada vez mais difícil e impopular para os jovens.

Ao externalizar nossa essência em pixels, permitimos que o julgamento alheio dite as regras do nosso valor pessoal e felicidade. Portanto, o conflito entre o “eu interior” e o “eu postado” cria uma dissonância cognitiva que frequentemente resulta em ansiedade e fadiga digital. Assim, o desafio reside em utilizar as ferramentas digitais sem permitir que elas se tornem as únicas mediadoras da nossa realidade subjetiva.

Penso, logo posto: Descartes explicaria sua obsessão por likes?
Aprovação social nas redes ativa circuitos dopaminérgicos que confundem o eu – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Como a obsessão por likes afeta a saúde mental coletiva?

A comparação social constante é um dos efeitos colaterais mais nocivos da exposição deliberada a estilos de vida editados e filtrados. Além disso, a obsessão por likes cria uma hierarquia de relevância baseada em métricas vazias, o que desvaloriza talentos e personalidades que não se encaixam no padrão. Por consequência, a saúde mental é sacrificada em nome de uma popularidade efêmera que exige manutenção diária e exaustiva por parte dos usuários.

A necessidade de estar “online” o tempo todo impede o cérebro de entrar em estado de repouso ou de contemplação profunda. Assim, a criatividade autêntica dá lugar à reprodução de tendências que garantam mais visualizações no curto prazo. Como resultado, a sociedade torna-se um grande espelho de imagens repetitivas, onde a originalidade é deixada de lado em favor da segurança do algoritmo que dita o sucesso.

Conceito Visão Cartesiana Cenário Digital
Existência Garantida pelo ato de pensar Dependente da visualização
Dúvida Ferramenta de busca da verdade Evitada para manter a pose
Realidade Diferenciada do sonho/ilusão Confundida com o feed editado

É possível manter a sanidade em um mundo de exposição constante?

Estabelecer limites claros para o consumo de redes sociais é o primeiro passo para resgatar a autonomia sobre o próprio tempo e pensamentos. Além disso, a prática do “digital detox” ajuda o indivíduo a reconectar-se com sua consciência interna sem o filtro das métricas de vaidade. Todavia, essa desconexão exige coragem para enfrentar o medo de ser esquecido ou de ficar por fora das tendências momentâneas do grupo social.

Valorizar interações reais e diálogos profundos fortalece a base da identidade contra a volatilidade das opiniõe s virtuais. Portanto, a filosofia cartesiana nos convida a retornar ao centro de nós mesmos para encontrar as verdades que não podem ser quantificadas em curtidas. Por fim, a verdadeira existência floresce quando o pensamento é independente e o post torna-se apenas um registro acessório de uma vida plena.

Leia mais: