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Defesa de adolescente contesta investigação da polícia sobre morte de Cão Orelha e fala em ‘politização’

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Defesa de adolescente contesta investigação da polícia sobre morte de Cão Orelha e fala em ‘politização’

A defesa de um dos adolescentes investigados pela morte do Cão Orelha se manifestou nesta terça-feira (3) após a Polícia Civil de Santa Catarina concluir o inquérito sobre o caso ocorrido na Praia Brava, em Florianópolis. Em nota, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte afirmaram que o jovem foi “indevidamente associado ao caso” e classificaram a investigação como “frágil e inconsistente”.

Segundo os defensores, informações divulgadas publicamente se baseiam em “elementos meramente circunstanciais”, que, na avaliação da defesa, não constituem prova nem autorizam conclusões definitivas. Os advogados também alegam que houve “politização do caso e a necessidade de apontar culpado a qualquer preço”, o que teria inflamado a opinião pública.

“A politização do caso prejudica a verdade, infringe de forma gravíssima os ritos legais e atinge, violentamente e de forma irreparável, pessoas inocentes”, afirmaram os advogados no comunicado. A defesa diz ainda que atua de forma técnica e responsável na busca pela “verdade real” e pela demonstração da inocência do adolescente.

Outro ponto destacado é a falta de acesso integral aos autos do inquérito. De acordo com a nota, até o momento a defesa não teve acesso completo às peças da investigação, o que, segundo os advogados, compromete o exercício pleno do direito de defesa.

O caso do Cão Orelha ganhou repercussão após o animal comunitário ser atacado na madrugada de 4 de janeiro, por volta das 5h30, na Praia Brava, no Norte da Ilha. Conforme laudos da Polícia Científica, o cão sofreu uma pancada contundente na cabeça, possivelmente provocada por um chute ou por objeto rígido, como madeira ou garrafa. Ele foi resgatado por moradores no dia seguinte e morreu em uma clínica veterinária em decorrência dos ferimentos.

A Polícia Civil de Santa Catarina informou que a investigação envolveu uma força-tarefa com diferentes órgãos de segurança do estado. Ao longo da apuração, foram analisadas mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança captadas por 14 equipamentos, ouvidas 24 testemunhas e investigados oito adolescentes. As imagens também permitiram identificar roupas utilizadas pelo autor no momento do ataque.

Segundo a corporação, a cronologia dos fatos revelou contradições no depoimento do adolescente apontado como autor. As investigações indicam que ele saiu do condomínio onde estava hospedado às 5h25 e retornou às 5h58, acompanhado de uma amiga, o que contrariaria a versão inicial apresentada. No mesmo dia em que a Polícia identificou os suspeitos, o adolescente viajou para fora do Brasil, retornando apenas em 29 de janeiro, quando foi interceptado no aeroporto.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, o inquérito seguiu rigorosamente o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ao final, a corporação representou pela internação do adolescente no caso da morte do Cão Orelha e indiciou três adultos por coação a testemunha. Os procedimentos também englobaram os maus-tratos ao Cão Caramelo, com representação contra outros adolescentes.

Com a conclusão da investigação, os casos foram encaminhados ao Ministério Público e ao Judiciário, que irão analisar as medidas cabíveis. A Polícia Civil informou ainda que a extração e análise dos dados dos celulares apreendidos podem reforçar provas já reunidas e levantar novas informações sobre os fatos.

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