Cúpula de IA na Índia reunirá CEOs e autoridades; Lula participa

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A Índia recebe a partir desta segunda-feira (16) a Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial​ 2026. O evento continua até sexta-feira (20), em Nova Déli, marcando a primeira cúpula internacional de IA no Sul Global.

O encontro reúne presidentes, primeiros-ministros, executivos de tecnologia, pesquisadores e líderes da sociedade civil para cinco dias de debates sobre o futuro dessa tecnologia.

Entre autoridades, estarão presentes:

  • Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil – além de ministros.
  • Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia,
  • Emmanuel Macron, presidente da França.
  • Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha.
  • António Guterres, Secretário-Geral da ONU.
  • Delegações ministeriais de mais de 45 países.
  • A delegação dos Estados Unidos, segundo o jornal Times of India, será liderada por altos funcionários e líderes do setor.

Entre executivos, devem comparecer:

  • Sam Altman, CEO da OpenAI.
  • Sundar Pichai, CEO da Alphabet (controladora do Google).
  • Dario Amodei, chefe da Anthropic.
  • Demis Hassabis, CEO do Google DeepMind.

Um desfalque é Jensen Huang, CEO da NVIDIA. Ele teria desistido no sábado por “imprevistos”, segundo a Reuters.

O contexto da Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial​ 2026

Esse é o mais recente de uma série de eventos governamentais focados em IA. Outras edições foram realizadas no Reino Unido, Coreia do Sul e França.

E a escolha não é coincidência:

  • O governo Modi quer que a Índia se torne protagonista na corrida tecnológica mundial. O país já aprovou projetos de semicondutores na casa dos US$ 18 bilhões, com o objetivo de construir uma cadeia de produção nacional.
  • O governo já pressionou grandes empresas, como a Apple, a fabricarem mais produtos no país – como lembra a CNBC.
  • Bolsas de valores indianas registram um aumento nas ofertas públicas iniciais (IPOs), enquanto investidores de capital de risco apostam em startups locais.
  • A Índia vem se tornando um mercado cada vez mais lucrativo, com um perfil jovem e ligado em tecnologia. Além disso, o contingente de talentos pode ser importante para a sequência do desenvolvimento das IAs.
  • É provável que gigantes do setor anunciem investimentos volumosos na Índia ao longo da semana, ainda de acordo com a CNBC.
  • Podemos esperar, por exemplo, investimento em data centers. Em dezembro, vale lembrar, noticiamos anúncios de aportes que ultrapassam US$ 50 bilhões vindos de Amazon e Microsoft. 
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Narendra Modi e Lula se encontrarão em Nova Déli. (Imagem: Narendra Modi/X/Reprodução)

Brasil e Índia: inteligência artificial

O jornal Folha de S.Paulo teve acesso ao conteúdo da Parceria Digital Brasil-Índia para o Futuro, acordo que será anunciado no próximo fim de semana. De acordo com a reportagem, o texto prevê:

  • Um centro de excelência conjunto em infraestrutura pública.
  • Colaboração em identidade digital, pagamentos digitais e compartilhamento de dados.
  • Rede aberta de IA para ação climática em países em desenvolvimento.
  • Cooperação em IA na adoção e desenvolvimento de grandes modelos de linguagem.
  • Parceria em semicondutores.
  • Acordos sobre governança de internet e inovação em IA com respeito a direitos autorais.

Fontes ouvidas pelo jornal de vários ministérios dizem que o pano de fundo é impedir que o “Sul Global” fique para trás na corrida das IAs. O governo entende que essa é uma frente da desigualdade a ser atacada.

“A cadeia de IA que vai desde as terras raras até o software não pode levar a um maior desequilíbrio entre países nem aprofundar a desigualdade dentro dos países. É muito importante debater quem vai produzir a tecnologia, como ela vai ser distribuída, e como o Brasil se insere nisso de uma maneira diferente das últimas mudanças tecnológicas, em que ficamos correndo atrás”, afirmou à Folha Esther Dweck, ministra da Gestão e da Inovação.

Outro assunto na pauta de Lula, escreve o jornal, é a defesa da soberania do Brasil para regular as big techs. O brasileiro também deve defender uma governança global das IAs.

Em Nova Déli, Lula participa da Cúpula na quinta-feira (19).

Na sexta (20), o governo brasileiro organizará um evento paralelo chamado “IA para o bem de todos”. O evento tratará das perspectivas brasileiras para o futuro da inteligência artificial e contará com a presença de ministros de Estado – representando as pastas de Ciência, Tecnologia e Informação; Gestão e Inovação nos Serviços Públicos; Educação; Saúde; e Comunicações.

No sábado (21), está prevista a reunião bilateral com Narendra Modi e o anúncio de, ao menos, dez acordos bilaterais.

Brasil e Índia: minerais críticos

A Folha de S.Paulo também informou que o Brasil deve lançar um memorando de entendimento sobre minerais críticos.

  • Os minerais críticos incluem elementos como lítio, cobalto, níquel e terras raras, essenciais para setores como defesa, tecnologia de ponta e transição energética. Eles são a base de produtos como baterias de carros elétricos, painéis solares, turbinas eólicas e semicondutores, o que aumenta a pressão internacional por acesso a reservas e cadeias de suprimento mais seguras.

Esse será o primeiro acordo bilateral do Brasil voltado para minerais críticos. Vale destacar o fato de a parceria ser com a Índia – e não com os protagonistas China e Estados Unidos.

O jornal antecipa que o acordo e as falas de Lula deverão sinalizar alguns princípios do Brasil em relação ao tema:

  • Não à exclusividade: o governo não quer firmar tratados de exclusividade. Os EUA estão pressionando alguns países a seguirem esse caminho.
  • Desenvolvimento interno: o presidente brasileiro deve mostrar o interesse em estimular o processamento por aqui, deixando de fornecer apenas a matéria prima.

No lado indiano, o interesse é por reduzir a dependência da China, que lidera a produção e processamento de minerais críticos. O Brasil tem a segunda maior reserva do mundo.