Há quase 40 anos, Francisco Evandro Oliveira da Silva causava pânico na cidade de Fortaleza, no Ceará. Conhecido como o “Corta-Bundas” (ou “Cortabundas”), ele foi apontado como o principal autor de ataques que aterrorizaram moradores do bairro José Walter, na zona sul da capital cearense, entre os anos de 1985 e 1987.
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Os crimes, que tinham como alvos mulheres, deixavam os moradores do bairro em pânico à medida em que aconteciam. Muros tiveram que ser levantados e até mesmo uma patrulha informal foi criada pelos moradores para um revezamento de vigília nas residências.
Ataques sem precedentes
O apelido que se popularizou nos jornais descrevia o método utilizado nos ataques. As vítimas tinham as nádegas cortadas com estiletes dentro das próprias casas, que eram invadidas pelo maníaco. Crianças e mulheres foram atingidas, sem que houvesse inicialmente uma explicação clara para a motivação dos crimes. Estimativas apontam que cerca de 70 mulheres foram atacadas, mas apenas três registraram boletins de ocorrência.

Moradora do bairro mostra “alarme” com panelas. (Reprodução | Café com Crime)
Prisão e confissão
Francisco Evandro Oliveira da Silva foi preso em 6 de fevereiro de 1987, aos 26 anos. À polícia, ele confessou os crimes e afirmou agir por fetiche. Segundo o próprio relato, pretendia se masturbar durante os ataques, mas fugia rapidamente para evitar ser capturado.
Evandro foi levado ao então Instituto Presídio Professor Olavo Oliveira, onde acabou assassinado por outro detento, conhecido como Fonfon. A morte ocorreu pouco tempo após sua prisão e encerrou oficialmente a investigação sobre o que ficou conhecido como o “terceiro Corta-Bundas”.
Outros suspeitos e versões conflitantes
Antes da prisão de Evandro, outros dois homens haviam sido apontados como suspeitos. Um deles era Luiz Donald Uchôa Félix, conhecido como “McDonald”, morador do próprio bairro José Walter. Ele chegou a ser preso após ser reconhecido por vítimas, mas sempre negou envolvimento nos ataques.
Outro nome citado foi Aparecido dos Santos Reis, apelidado de “Topo Gigio”. De acordo com investigações da época, ele teria cometido ataques semelhantes para tentar inocentar McDonald. Na casa de Aparecido, a polícia encontrou estiletes, uma peruca e substâncias utilizadas para disfarce corporal. Nenhum dos dois confessou os crimes.
Francisco Evandro Oliveira da Silva. Reprodução | Jornal O Povo / TV Verdes Mares (via Fortaleza Nobre)
Suspeita de mandante
Relatos posteriores do comissário Airton Lopes levantaram a hipótese de que a mãe de McDonald, Dona Mirtes, teria articulado a atuação de terceiros para afastar suspeitas do filho. Presa por tráfico de drogas, ela negou qualquer envolvimento e morreu sem admitir participação no caso.
A morte de Evandro dentro do presídio levantou suspeitas de queima de arquivo, já que Fonfon, autor do homicídio, era próximo à família de um dos investigados. A versão, no entanto, nunca foi confirmada oficialmente.
Histórico de problemas mentais
Reportagens publicadas à época indicavam que Evandro havia sofrido um traumatismo craniano na infância, após uma queda. Médicos teriam recomendado tratamento especializado, que não foi realizado devido às condições financeiras da família.
O histórico foi citado como possível fator associado ao comportamento violento do suspeito, embora não tenha sido usado como atenuante judicial.
A história de Cortabundas virou lenda urbana na região e acabou originando livros, documentários e até mesmo uma HQ.
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