O advogado Giordano Simplício Jordão, citado entre os investigados da Operação Graco, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira (29), foi nomeado para um cargo comissionado na Câmara Municipal de Porto Walter, no interior do Acre. A nomeação foi publicada na edição desta segunda-feira (2) do Diário Oficial do Estado (DOE).
De acordo com a portaria assinada pelo presidente da Casa Legislativa, Rosildo Cassiano Corrêa, Giordano Jordão passa a ocupar a função de Diretor de Assuntos Jurídicos (DAS-5). A designação ocorre poucos dias após o nome do advogado aparecer entre os alvos da operação que apura possíveis irregularidades na destinação de recursos públicos federais.

A Operação Graco foi realizada em conjunto pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU): Foto/Reprodução
A investigação envolve o uso de verbas oriundas das chamadas “emendas Pix”, transferências especiais que, segundo a Polícia Federal, teriam sido utilizadas de forma irregular para custear shows musicais durante a feira agropecuária de Sena Madureira, realizada em setembro de 2024. O valor sob apuração gira em torno de R$ 912 mil.
A Operação Graco foi realizada em conjunto pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU). As apurações apontam indícios de contratos firmados sem licitação, com suspeitas de sobrepreço, uso indevido de cartas de exclusividade e pagamentos realizados antes da prestação dos serviços. Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão no Acre e no Distrito Federal, além da autorização para quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Após a operação, Giordano Jordão confirmou que sua residência foi alvo de mandado de busca e apreensão. Em nota, o advogado afirmou que não executa emendas parlamentares, não indica beneficiários, não ordena despesas e não realiza pagamentos, ressaltando que não possui vínculo com a movimentação de recursos provenientes de emendas Pix.
Ele destacou ainda sua trajetória de 23 anos na advocacia, com atuação no assessoramento jurídico de parlamentares, prefeitos e municípios, e afirmou que esse trabalho não se confunde com a gestão administrativa ou financeira de políticas públicas. Jordão também lembrou que já exerceu o cargo de controlador-geral do Estado do Acre.
Segundo o advogado, será solicitado acesso integral aos autos do inquérito para apresentação dos esclarecimentos e da defesa técnica, reiterando confiança no devido processo legal e na elucidação dos fatos. Além dele, também são investigados na Operação Graco o deputado federal Eduardo Velloso e o ex-prefeito de Sena Madureira, Mazinho Serafim. As investigações seguem em andamento.
Informações: A Gazeta do Acre.