Caso Vitória: morte da adolescente expõe riscos técnicos na perícia

A morte da adolescente Vitória, que chocou o país em fevereiro de 2025, segue provocando debates sobre os limites técnicos da perícia criminal. Para especialistas, o tempo pode se tornar um obstáculo silencioso na preservação de provas e na reconstrução dos fatos.

O caso, registrado em Cajamar, ganhou grande repercussão nacional e trouxe à tona discussões sobre a importância de protocolos rigorosos na coleta e conservação de vestígios. Em situações como essa, qualquer falha inicial pode comprometer análises futuras.

Segundo a médica perita Caroline Daitx, a passagem do tempo é um dos principais desafios quando se fala em reavaliação de investigações.

“Revisitar um caso é importante para a busca da justiça, mas a passagem do tempo prejudica a qualidade das evidências. Vestígios se degradam, especialmente material genético exposto ao ambiente”, explica.

De acordo com a especialista, refazer exames muito tempo depois da morte da adolescente é sempre mais complexo do que realizar uma perícia imediatamente após o fato. Isso porque fatores ambientais, manipulação inadequada ou armazenamento incorreto podem comprometer provas materiais.

Preservação de vestígios é ponto central após a morte da adolescente

Nos casos de homicídio, a perícia depende de uma análise integrada de elementos como exame necroscópico, vestígios biológicos, coleta de DNA, análise do local do crime e até perícia digital. Cada etapa precisa seguir critérios científicos rigorosos para garantir a confiabilidade do laudo.

A emédica também reforça que a autonomia do perito é fundamental para a credibilidade do processo.

“A perícia criminal é um pilar da justiça. O laudo deve ser fundamentado exclusivamente em critérios científicos, sem qualquer tipo de pressão externa”, afirma.

Para Caroline, casos de grande repercussão, como o da adolescente em Cajamar, servem como alerta institucional. Eles evidenciam a necessidade de investimento contínuo em tecnologia, treinamento técnico e preservação adequada do local do crime.

“Sem método e sem preservação correta, a reconstrução dos fatos pode ficar comprometida”, conclui.

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