A Polícia Civil do Maranhão (PCMA) continua investigando o desaparecimento das crianças Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, ocorrido há mais de um mês no município de Bacabal, no interior do estado. Sem indícios concretos que esclareçam o paradeiro dos irmãos, a principal linha de apuração aponta para a possibilidade de que ambos tenham caído no Rio Mearim.
De acordo com o delegado Edson Martins, responsável pelo caso, as equipes seguem mobilizadas desde o dia 4 de janeiro, quando as crianças foram vistas pela última vez no quilombo São Sebastião dos Pretos. As buscas envolvem forças de segurança estaduais e enfrentam obstáculos como vegetação fechada, fortes chuvas e a presença de igarapés e áreas alagadas, o que dificulta o trabalho de varredura na região.
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Apesar da hipótese de afogamento ser considerada a mais provável até o momento, a Polícia Civil reforça que o inquérito ainda está em andamento e que outras possibilidades não foram descartadas. A investigação busca reunir elementos que possam esclarecer as circunstâncias do desaparecimento e dar respostas à família.
“Cada informação que tem chegado a gente tem checado, mas a linha de investigação mais forte mesmo é de terem se perdido na mata e caído na água“, explicou Edson.
Inquérito ainda está em andamento
O delegado responsável pela investigação reforçou que o inquérito ainda está em fase de conclusão e que, embora a possibilidade de afogamento seja considerada a mais consistente até agora, outras linhas de apuração seguem em análise e não foram descartadas do relatório final.
A definição do ponto central das buscas ocorreu após o depoimento de Anderson Kauan, primo de Ágatha Isabelly e Allan Michael. Ele também havia desaparecido com as crianças, mas foi localizado dias depois e, até o momento, é o único encontrado. O relato do menino levou as equipes até uma construção abandonada, conhecida como “casa caída”, situada nas proximidades do Rio Mearim, onde os primos teriam passado uma das noites.
Varredura na mata não encontra pistas
Após varreduras detalhadas na área de mata fechada ao redor do imóvel, nenhuma evidência concreta foi localizada. Diante disso, as operações foram reforçadas no trecho do rio indicado. O Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA), com apoio da Marinha, realizou buscas intensivas no leito do Rio Mearim utilizando tecnologia de varredura subaquática, como o equipamento side scan sonar, durante cinco dias consecutivos. Mesmo com o esforço concentrado, não houve identificação de vestígios das crianças.
Segundo o delegado, o intervalo entre o desaparecimento e a delimitação das áreas prioritárias pode ter comprometido a eficácia das buscas, especialmente em razão das condições ambientais da região, marcada por vegetação densa, chuvas constantes e cursos d’água que podem alterar rapidamente o cenário.
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Linha do tempo do desaparecimento
4 de janeiro: Anderson Kauan, de 8 anos, junto com os irmãos Isabelle, de 6, e Michael, de 4, saem de casa em busca de um pé de maracujá e desaparecem. Familiares iniciam buscas imediatas.
5 de janeiro: É montada uma operação com apoio das polícias Civil e Militar e do Corpo de Bombeiros, contando também com voluntários da comunidade.
6 de janeiro: As buscas ganham reforço com helicópteros, drones e cães farejadores.
7 de janeiro: Anderson é encontrado com vida por um carroceiro, sozinho em um matagal a cerca de 4 km de casa, sem roupas.
8 de janeiro: Objetos pessoais de Anderson, como short e chinelo, são localizados próximos ao ponto do resgate.
9 de janeiro: A Prefeitura de Bacabal anuncia recompensa de R$ 20 mil por informações que ajudem a encontrar as crianças desaparecidas.
10 de janeiro: O Exército Brasileiro e o Batalhão Ambiental reforçam as buscas, com aproximadamente 340 pessoas envolvidas na operação.
11 de janeiro: Novos itens de vestuário infantil são encontrados por voluntários durante as buscas.
12 de janeiro: A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão informa que os objetos localizados não pertencem aos irmãos desaparecidos.
15 de janeiro: Há uma varredura no Lago Limpo, nos arredores da área do desaparecimento, e a polícia identifica a chamada “casa caída”, onde as crianças teriam passado ao menos uma noite.
17 de janeiro: As buscas recebem apoio da Marinha, ampliando a operação em Bacabal.
19 de janeiro: Bombeiros percorrem cerca de 180 km pelo Rio Mearim em busca de pistas que indiquem o paradeiro das crianças.
20 de janeiro: A polícia descarta denúncia de que os irmãos estariam no estado do Pará. Uma procissão no quilombo São Sebastião dos Pretos pede o retorno de Ágatha e Allan.
22 de janeiro: As buscas aquáticas no Rio Mearim são encerradas, sem resultados positivos.
25 de janeiro: A Polícia Civil de São Paulo investiga denúncia de que os irmãos teriam sido vistos em um hotel no centro da capital; hipótese é descartada.
26 de janeiro: O delegado Ederson Martins desmente informações que circulavam nas redes sociais sobre suposta venda das crianças pela mãe e pelo padrasto.
3 de fevereiro: A investigação prioriza a linha de que as crianças possam ter se perdido na mata, sem descartar outras possibilidades, inclusive eventual participação de terceiros.
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