Foto: Arte Metrópoles

O movimento Axé Music surgiu nos anos 1980 e segue sendo cultuado na música baiana por grandes artistas, como Carlinhos Brown e Daniela Mercury, mas não teve uma renovação nos últimos anos. Inclusive, há quem diga que a Axé Music acabou.
Em entrevista ao Metrópoles, o músico e produtor musical Jonga Cunha afirmou que o movimento não se renova porque chegou ao fim.
“A nova geração da axé music não existe. Esse movimento acabou. Ele teve seu momento por mais de 30 anos, mas eu acho que já vivemos um pós-Axé Music”, dispara.
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Daniela Mercury no Carnaval de SP
Jéssica Bernardo/ Metrópoles
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Carlinhos Brown
Reprodução/Instagram Carlinhos Brown
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Daniela Mercury – Cirandaia
Célia Santos/Divulgação
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Carlinhos Brown anima o Réveillon de Brasília
Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova
Para que não haja confusão, Jonga fez questão de pontuar que a Axé Music não é um estilo musical, mas um movimento cultural e social que engloba diversos ritmos. “O axé não é um gênero musical. É um guarda-chuva que abriga dezenas de clave e gêneros. Talvez seja o maior movimento dos dois últimos séculos do Brasil”, opina.
Em seguida, completou, explicando o movimento que é cantado pelo estado:
“Salvador é uma cidade de três milhões de habitantes. É a cidade com maior população negra, de forma absoluta, no mundo, fora da África. A cultura negra se desenvolveu no dia a dia da sociedade e ganhou voz. A gente vive em uma cidade negra em todos os aspectos, na festa e no jeito de ser”.
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O que temos no pós-Axé Music?
A diversidade musical baiana continua existindo e se ampliando, mas seguindo os caminhos de uma nova geração mais tecnológica e digital. Estilos como o newpagode, o groove arrastado e o pagotrap marcam o atual momento. Apesar disso, não seguem os caminhos do movimento Axé Music.
Mesmo sem um nome definido, este novo acontecimento social na Bahia ganha mais força a cada dia, como explica o radialista e produtor artístico Anselmo Costa.
“Todo mundo acha que a Bahia é só axé, mas não é verdade. A turma que saiu do Pelourinho com o advento do digital e novos projetos culturais, como o Àttooxxá, Rachel Reis, Luedji Luna, Baco Exu do Blues, Filhos de Jorge e Baiana System, conseguiram voar. São artistas que mexeram no ritmo”, conta.
Ele também destaca a força do pagodão baiano, que se transformou em um ritmo nacional. “Esse som que veio da favela e é visceral. Sempre esteve longe das rotas e virou uma referência nacional. O baiano se reinventa todo dia.”