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A turnê histórica que levou Caetano Veloso e Bethânia ao Grammy 2026

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A turnê histórica que levou Caetano Veloso e Bethânia ao Grammy 2026

Maria Bethânia, de 79 anos, e Caetano Veloso, de 83, transformaram em turnê o reencontro artístico que o público aguardava havia décadas. A Caetano e Bethânia Tour, que também originou o álbum Caetano e Bethânia Ao Vivo, ganhou reconhecimento internacional neste domingo (1º/2), com a vitória dos irmãos na categoria de Melhor Álbum de Música Global no Grammy 2026.

A parceria levou ao cenário internacional um repertório que há mais de 60 anos ocupa lugar central na música brasileira. Referências de sua geração, Caetano e Bethânia mantêm relevância artística com obras que atravessam épocas e formatos de consumo.

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Maria Bethânia, Mãe Carmen e Caetano Veloso

Reprodução/Instagram @mariabethaniaoficial

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Momentos da apresentação

Nina Quintana/Metrópoles

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Show do Caetano e Bethânia em Brasília

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Caetano Veloso cantou sucessos da carreira

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Tributo a Gal Costa

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Solo de Maria Bethânia

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O estádio lotado para o show

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Os irmãos no palco da Arena BRB Mané Garrincha

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Os irmãos fizeram uma apresentação espetacular

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Show do Caetano e Bethânia na noite desse sábado (9/11)

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Maria Bethânia na Arena BRB Mané Garrincha

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Caetano Veloso

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Embora tenham dividido projetos e participações ao longo da carreira, a turnê marcou uma reunião estruturada dos dois nos palcos, concebida como celebração da trajetória artística de ambos.

O projeto foi pensado como um espetáculo de formato mais próximo e centrado no repertório, revisitando canções que atravessaram gerações e ajudaram a definir a música popular brasileira nas últimas décadas. Para artistas e público, o encontro representou um momento simbólico de convergência entre duas carreiras que sempre caminharam em diálogo.

No Grammy 2026, o álbum concorreu na categoria de Melhor Álbum de Música Global ao lado de trabalhos de Sounds of Kumbha, Burna Boy, Youssou N’Dour, Shakti e Anoushka Shankar com Alam Khan e Sarathy Korwar.

Para o músico Rodrigo Karashima, diretor do Karashima Instituto de Música, a indicação funciona como reconhecimento de um percurso já consolidado.

“Sendo um encontro histórico entre dois ícones da música brasileira, essa indicação representa uma coroação de dois artistas que nem precisavam de mais nada na carreira. A voz incrível de Bethânia, prestes a completar 80 anos, mostra quão diferenciada ela é. E por mais que no imaginário geral se mencione ‘talento’ ou ‘nasceu para isso’, existe muito trabalho envolvido, coisas que o público não vê”, diz o músico Rodrigo Karashima, diretor do Karashima Instituto de Música.

Caetano Veloso já havia sido indicado ao Grammy em outras ocasiões, inclusive na categoria de Música Global, e soma duas vitórias. A edição deste ano marca a primeira indicação de Maria Bethânia na premiação internacional.

Ícones atemporais

Iniciada em agosto de 2024, a turnê passou por cidades como Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre. O repertório combinou clássicos das duas trajetórias com releituras recentes. Entre os destaques esteve Fé, de Iza, reinterpretada em cena com tom de afirmação e resistência, que se tornou um dos momentos mais comentados das apresentações.

O projeto foi recebido como um marco para o público, ao reunir no mesmo palco dois artistas centrais da música brasileira em uma fase de plena maturidade criativa.

Especialistas afirmam que a indicação dos irmãos para o Grammy não comprova a importância de sua existência, mas reafirma os árduos passos dados pelos cantores para perdurarem nos mais de 60 anos de carreira.

“A indicação de Caetano e Bethânia juntos ao Grammy não é só sobre dois gigantes. É mais uma etapa num processo longo de legitimação simbólica, que sempre envolve várias instâncias atuando em camadas: público, crítica, pares, mídia, mercado e, claro, prêmios consagradores”, afirma Dani Ribas, doutora em sociologia e coordenadora do Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus).

Caetano Veloso

Quando eles aparecem juntos, isso também funciona como um gesto de memória viva da MPB. Uma lembrança pública de que essa tradição não nasceu pronta, ela foi sendo construída em disputas, alianças e critérios de valor ao longo do tempo.

Dani Ribas

Já Rodrigo Faour, historiador da música brasileira, completa: “Um reconhecimento de dois artistas ímpares no cenário da música mundial, com seis décadas relevantes de carreira, sempre se renovando e renovando público. Não é para qualquer um. Um fato raro mundialmente”.

“O fato de serem os dois juntos é muito representativo, não só por serem irmãos, mas para mostrar as novas gerações que uma carreira do tamanho da deles também se constrói na união pela arte — num mundo onde o que cada vez mais o que importa são cliques, algoritmos e likes”, aponta Karashima.

A visão internacional

Especialistas ouvidos pela reportagem ressaltam que uma indicação ao Grammy tem peso internacional, mas também funciona como vitrine para a diversidade e a sofisticação da produção musical brasileira.

“O Brasil sempre esteve em destaque quando o assunto é música, e agora com a indicação dos filmes brasileiros ao Oscar, vemos que a cultura e o fazer artístico brasileiro seguem fortes”, diz Karashima, enquanto Faour completa:

“A força dos dois irmãos, juntos pela primeira vez numa turnê em estádios, algo de vulto, e cada um com seis décadas de carreira, pode ter chamado a atenção do júri pela força do repertório e da influência deles na cultura de um país continental como o Brasil.”

Maria Bethânia
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