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Zuckerberg ignorou alertas sobre IA para menores de idade, diz processo

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Zuckerberg ignorou alertas sobre IA para menores de idade, diz processo

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Documentos internos da Meta revelam que o CEO da empresa, Mark Zuckerberg, aprovou o uso de chatbots de inteligência artificial (IA) por menores de idade, mesmo após funcionários de segurança alertarem que as ferramentas podiam gerar conversas de teor sexual. 

O estado do Novo México (EUA) move uma ação judicial na qual alega que Zuckerberg não impediu que crianças recebessem propostas e materiais sexuais gerados por esses robôs. O caso será levado a julgamento em fevereiro de 2026.

Segundo o processo, a empresa teria ignorado recomendações para criar travas de segurança e ferramentas de controle parental. Em vez de acatar recomendações de especialistas em proteção infantil, a liderança da Meta teria priorizado uma política de pouca censura, de acordo com a ação judicial. 

Recentemente, a empresa decidiu suspender o acesso de adolescentes a esses chatbots até que uma versão mais segura e com novos controles seja finalizada.

Zuckerberg teria rejeitado ferramentas de controle parental e ignorado riscos de liberar chatbots para adolescentes

Funcionários da Meta teriam tentado convencer a diretoria a criar um botão para que os pais pudessem desligar a IA nas contas dos filhos, mas o pedido teria sido negado com base numa decisão de Zuckerberg, segundo o processo. O empresário teria defendido que o produto deveria ser menos restritivo e permitir conversas mais “ousadas” para adultos. Segundo as investigações, ele acreditava que o foco deveria ser a liberdade de escolha do usuário e não o bloqueio de conteúdos.

Especialistas da própria empresa, como o chefe de segurança infantil Ravi Sinha, avisaram que permitir “chatbots de romance” para adultos que simulassem adolescentes era algo impossível de defender e perigoso. Nick Clegg, que cuidava das políticas globais da Meta, também demonstrou receio de que cunho sexual se tornasse a principal forma de uso desses robôs pelos jovens. Ele questionou se a empresa realmente queria ficar conhecida por esse tipo de produto e previu uma reação negativa da sociedade.

Denúncias feitas por jornais reforçaram esses temores. Em abril de 2025, o Wall Street Journal publicou que chatbots da Meta criavam personagens infantis com comportamento sexualizado. Outra reportagem, da Reuters, apontou que as regras da empresa chegaram a dizer que era aceitável a IA ter conversas sensuais com crianças. Na época, a Meta respondeu que essas orientações estavam erradas e que os exemplos citados eram apenas situações hipotéticas para testes.

A Meta diz que o processo judicial usa documentos escolhidos a dedo para criar uma imagem falsa e injusta da companhia. Porta-vozes dizem que Zuckerberg orientou que chatbots com conteúdo sexual não fossem liberados para menores de idade e que adultos não criassem personagens infantis “românticos”. Agora, a empresa afirma que está cumprindo a promessa de entregar ferramentas que dão aos pais mais controle sobre a experiência dos filhos com IA.

(Essa matéria usou informações de The Guardian e Reuters.)

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