Olhar Digital > Pro > Vou pagar roaming na Argentina? Entenda em que pé está o acordo do Mercosul
Acordo sobre roaming já existe, mas falta ajuste técnico entre países do Mercosul; operadoras ainda podem cobrar tarifas internacionais
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O governo federal anunciou que as taxas extras para usar o celular em países do Mercosul acabaram, mas a mudança ainda não funciona na prática. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), embora o acordo já exista oficialmente desde dezembro de 2025, ele ainda depende de ajustes técnicos entre os órgãos que fiscalizam as telecomunicações em cada país.
O anúncio do governo foi feito em redes sociais, com postagens dizendo que a cobrança teria parado em 2 de dezembro de 2025. No entanto, a agência que regula o setor esclareceu que ainda não há uma data definida para que os brasileiros parem de pagar essas taxas ao viajar para Argentina, Uruguai e Paraguai.
Para que você possa usar o celular em países do Mercosul sem pagar a mais, os órgãos de cada país do bloco econômico precisam criar regras comuns de funcionamento. Esse processo serve para definir detalhes de como o sinal será entregue para que o uso do aparelho fora do Brasil seja igual ao que você já usa no país. Sem essas regras, as operadoras de telefonia ainda podem cobrar as tarifas internacionais que estão nos contratos atuais.
A Anatel explicou que existe uma diferença entre o acordo estar escrito na lei e ele estar funcionando de verdade nas operadoras. As empresas de telefonia precisam combinar como vão compensar umas às outras pelo uso das torres e da rede de sinal em diferentes países. Atualmente, a agência brasileira e as dos países vizinhos ainda trabalham para montar esse sistema técnico que permitirá a gratuidade.
Esse acordo foi assinado em 2019 e aprovado pelo Senado brasileiro em agosto de 2025. Enquanto o Brasil ainda organiza a parte técnica, Argentina, Uruguai e Paraguai já pararam de cobrar essas taxas entre si em 2024. O Brasil foi o último dos países fundadores a oficializar a medida, o que aconteceu por um decreto do presidente em 18 de dezembro de 2025.
A Bolívia, que entrou no grupo recentemente, tem quatro anos para se adaptar e ainda não faz parte desse acordo. Além disso, o tratado entre o Mercosul e a União Europeia fala em preços razoáveis, mas não obriga o fim das cobranças ou o controle dos valores. Por enquanto, quem viajar deve manter seus planos atuais até que a Anatel confirme que as novas regras estão valendo no mundo real.
(Essa matéria usou informações de Folha de S. Paulo e G1.)
Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Já escreveu para sites, revistas e até um jornal. No Olhar Digital, escreve sobre (quase) tudo.

