Vice de Trump sai em defesa do ICE após detenção de criança de 5 anos nos EUA

O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, defendeu publicamente a atuação do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) após a detenção de um menino de 5 anos durante uma operação migratória em Minnesota. A declaração foi feita durante visita a Minneapolis, cidade que enfrenta protestos e confrontos desde a morte de uma mulher baleada por um agente federal no início do mês.

Segundo Vance, a responsabilidade pelo caos nas ruas seria de “agitadores de extrema esquerda” e de autoridades locais que se recusam a cooperar com as forças federais. Ele também acusou a imprensa de apresentar versões distorcidas sobre a abordagem envolvendo a criança.

O episódio que reacendeu a revolta ocorreu na última terça-feira (20), quando agentes do ICE detiveram Liam Conejo Ramos, de 5 anos, após prenderem o pai do menino na garagem da residência da família, em Columbia Heights, região metropolitana de Minneapolis.

De acordo com uma vereadora que presenciou a cena, o menino viu o pai ser levado por agentes mascarados e armados, que indicaram uma porta dos fundos antes de retirá-lo do local. A situação provocou forte reação de moradores, autoridades locais e defensores dos direitos humanos.

Vance minimizou o caso e afirmou que os agentes agiram para proteger a criança. “O que eles deveriam fazer? Deixar uma criança de 5 anos morrer congelada?”, questionou o vice-presidente.

Versões conflitantes

O Departamento de Segurança Interna informou que pais detidos em operações do ICE são questionados sobre o destino dos filhos, podendo optar por levá-los consigo ou deixá-los sob os cuidados de outra pessoa. Segundo o órgão, o pai da criança estaria em situação migratória irregular.

A defesa da família, no entanto, afirma que os pais são equatorianos, entraram legalmente no país e solicitaram asilo em 2024. O advogado negou que o pai tenha tentado fugir e disse que autoridades escolares se ofereceram para acolher o menino, proposta que não teria sido aceita pelos agentes.

Morte de mulher amplia crise

A visita de Vance também ocorreu em meio à comoção pela morte de Renee Good, de 37 anos, mãe de três filhos, baleada por um agente do ICE no dia 7 de janeiro. O vice-presidente afirmou que a mulher teria atropelado o agente com o carro antes de ser morta.

Análises independentes de vídeos feitas pela Reuters indicam que o veículo não estava na trajetória do agente no momento do disparo, e que ele permaneceu de pé após os tiros. O caso é investigado por autoridades estaduais, enquanto líderes democratas contestam a versão apresentada pelo governo federal.

Cidade vive clima de tensão

Minneapolis tem registrado protestos constantes contra as operações migratórias, que contam com a presença de centenas de agentes federais fortemente armados. Manifestantes organizam rondas para alertar moradores sobre a presença do ICE, enquanto agentes respondem com spray de pimenta e outros meios de dispersão.

O prefeito Jacob Frey afirmou que a cidade apoia ações contra criminosos violentos, mas criticou abordagens que, segundo ele, atingem famílias que cumprem a lei. Ele também defendeu as políticas de “cidade santuário”, que limitam a cooperação direta da polícia local com agentes de imigração.

Apesar das críticas, o governo Trump mantém a operação em Minnesota, considerada pelo Departamento de Segurança Interna a maior ação migratória já realizada no estado. Cerca de 3 mil agentes federais atuam na região.

Vance afirmou que, por enquanto, o presidente não pretende acionar a Lei da Insurreição, que permitiria o envio de tropas militares para conter distúrbios internos.

 

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