A notícia é curta, mas o impacto é devastador: um adolescente apreendido após decepar a cabeça de um cachorro usando um falcão. Não é apenas mais uma manchete policial. É um grito. Um sinal de alerta. Um espelho perturbador do que estamos nos tornando enquanto sociedade.
Diante de fatos assim, a pergunta surge quase automaticamente: o que aconteceu com a humanidade? Em que momento perdemos a capacidade de sentir empatia, de respeitar a vida, de compreender que toda existência, humana ou animal, merece dignidade?
A crueldade não nasce do nada. Ela é cultivada. Cresce em ambientes onde o afeto é escasso, onde a violência é normalizada, onde o sofrimento do outro vira entretenimento ou estatística. Um adolescente que comete um ato tão brutal não é apenas autor de um crime; é também produto de uma sociedade adoecida, que falhou em ensinar limites, amor, compaixão e responsabilidade.
Jesus Cristo ensinou algo simples e revolucionário: “Amai-vos uns aos outros.” Não disse “amai apenas os seus”, nem “amai quando for conveniente”. Disse amar. Amar como princípio, como escolha diária, como caminho para a paz. No entanto, parece que nos afastamos cada vez mais desse ensinamento. O amor foi substituído pelo ódio, pela indiferença, pelo desejo de poder e dominação.
Ligamos o celular pela manhã esperando informação, mas recebemos choque, tristeza e indignação. Maus-tratos a animais, crianças violentadas, mulheres assassinadas, povos inteiros massacrados em guerras que não defendem a vida, apenas interesses econômicos e políticos. Os chamados “donos da Terra” decidem quem vive e quem morre, enquanto inocentes pagam o preço mais alto.
Para quem trabalha diariamente com notícias, o peso é ainda maior. Não é fácil encarar tragédias todos os dias sem que isso nos fira por dentro. Há momentos em que o cansaço emocional fala mais alto, em que a alma pede descanso, em que surge a vontade de desistir. Isso não é fraqueza, é humanidade.
Talvez o maior desafio do nosso tempo seja não nos tornarmos insensíveis. Não permitir que o horror vire rotina. Não aceitar a crueldade como algo normal. Continuar se indignando é, paradoxalmente, um sinal de esperança. Significa que ainda há amor, ainda há consciência, ainda há luz.
O mundo não precisa de mais ódio. Precisa de pessoas que escolham o amor mesmo quando tudo parece perdido. Precisa de justiça, sim, mas também de educação emocional, espiritual e ética. Precisa lembrar, urgentemente, que a vida é sagrada.
Enquanto houver alguém que se revolte diante da barbárie e questione o rumo da humanidade, ainda existe chance de mudança. Que não percamos a capacidade de sentir. Que não deixemos morrer em nós o que ainda nos torna humanos.
Porque quando o amor acaba, a humanidade acaba junto.

