A Justiça do Acre decidiu levar a júri popular três pessoas acusadas de envolvimento na morte de João Vitor da Silva Borges, de 21 anos, assassinado em março do ano passado, em Cruzeiro do Sul. A decisão foi proferida pela 1ª Vara Criminal da Comarca do município e estabelece que os réus responderão por homicídio qualificado.
A sentença de pronúncia foi assinada pela juíza Gláucia Gomes e contempla os três primeiros investigados presos no caso, que permanecem custodiados no sistema prisional local. Conforme consta nos autos, os acusados teriam participado tanto da motivação quanto da condução da vítima até membros de uma facção criminosa, utilizando uma amiga de João Vitor como elo para atraí-lo.

As investigações apontam que João Vitor passou a ser alvo da facção cerca de um mês antes de seu desaparecimento: Foto/Reprodução
De acordo com o entendimento do Judiciário, há indícios suficientes de autoria e materialidade do crime, sustentados principalmente por imagens de uma chamada de vídeo realizada no local onde o jovem foi morto. Com a pronúncia, foi aberto o prazo legal para apresentação de recursos por parte do Ministério Público do Acre e das defesas dos acusados.
As investigações apontam que João Vitor passou a ser alvo da facção cerca de um mês antes de seu desaparecimento, após ter ajudado a conter um homem durante uma abordagem da Polícia Militar no Centro da cidade. A ação, registrada por populares em vídeo, teria provocado indignação entre integrantes da organização criminosa.
O jovem desapareceu no dia 8 de março e teve o corpo localizado três dias depois às margens do Rio Juruá. Segundo a Polícia Civil, a motivação do homicídio estaria diretamente ligada ao episódio da abordagem policial, em que João Vitor aparece aplicando um golpe conhecido como “mata-leão” em Gabriel Farias da Cruz, que estava deitado na via pública. Após a intervenção de terceiros, a situação foi controlada e, na ocasião, nenhuma irregularidade foi constatada pela polícia, resultando na liberação do homem abordado.
Ainda conforme o inquérito, após ser liberado, Gabriel teria exigido da facção criminosa uma punição contra João Vitor, o que teria dado início à sequência de eventos que culminaram no assassinato.
As apurações indicam que a vítima foi chamada por uma amiga sob o pretexto de uma conversa e, posteriormente, levada em um carro de aplicativo até o bairro Cohab. Em depoimento, Maria Francisca afirmou que a ordem para executar o jovem partiu de um integrante do conselho rotativo da organização criminosa.
No local, João Vitor teria sido submetido a um julgamento informal, conhecido como “tribunal do crime”, realizado por meio de uma chamada de vídeo com outros membros da facção, que decidiram pela execução imediata. A testemunha afirmou ter deixado o local antes do homicídio, informação que foi confirmada pelas investigações.
O corpo do jovem foi encontrado durante a Operação Oráculo, deflagrada pela Polícia Militar com o objetivo de esclarecer o desaparecimento da vítima. Em razão do avançado estado de decomposição, o corpo foi encaminhado diretamente do Instituto Médico Legal para sepultamento no Cemitério Jardim da Paz, sem passar pelo necrotério.
