Tragédia transmitida ao vivo: 40 anos da explosão do ônibus espacial Challenger

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Há exatos 40 anos, aconteceu uma das maiores tragédias do programa espacial dos Estados Unidos: o desastre do ônibus espacial Challenger. O acidente ocorreu em 28 de janeiro de 1986, durante o lançamento da missão STS-51-L, matando os sete tripulantes a bordo. Centenas de pessoas – entre elas, muitas crianças – assistiam ao lançamento no local, enquanto milhões acompanhavam ao vivo pela televisão.

A tragédia interrompeu uma missão que tinha grande visibilidade pública e forte apelo educacional. A NASA queria aproximar a exploração espacial das salas de aula e, por isso, levou a bordo a professora Christa McAuliffe, que foi selecionada entre milhares de educadores no projeto “Professor no Espaço”. Durante o voo, ela gravaria aulas e realizaria experimentos, tornando-se a primeira professora a ensinar diretamente do espaço.

Explosão do ônibus espacial Challenger logo após seu lançamento
A explosão do ônibus espacial Challenger, pouco mais de 70 segundos após o lançamento. Crédito: NASA

Além do aspecto educativo, a missão tinha objetivos técnicos e científicos. O Challenger lançaria um satélite de rastreamento e retransmissão de dados e transportaria o satélite Spartan Halley, voltado para observações do cometa Halley durante sua aproximação ao Sol. Havia também interesse político e institucional em demonstrar a regularidade dos voos espaciais.

A tripulação representava uma diversidade simbólica para aquele momento. Entre os sete integrantes estavam duas mulheres, o primeiro astronauta asiático-americano e o segundo astronauta negro do programa espacial. Essa composição refletia o esforço da NASA em mostrar que o espaço não era exclusivo de um perfil restrito de pessoas, mas um ambiente que poderia representar melhor a sociedade dos Estados Unidos.

Ônibus espacial Challenger explodiu segundos depois de decolar

No dia do lançamento, uma onda de frio rara para a Flórida atingiu Cabo Canaveral e formou gelo na plataforma. A decolagem chegou a ser suspensa, mas acabou autorizada às 13h38 (horário de Brasília). 

A explosão aconteceu 73 segundos depois que o ônibus espacial decolou, no momento em que ele passava pelo chamado “Max-Q”, período de maior estresse aerodinâmico na atmosfera. Os espectadores viram a nave se desintegrar no ar, seguida pela separação dos foguetes auxiliares. Não houve sobreviventes.

Desastres do Programa de Ônibus Espaciais da NASA e tripulação vitimada: Challenger em 1986 (Missão STS-51L) e Columbia em 2003 (Missão STS-107)
Desastres do Programa de Ônibus Espaciais da NASA e tripulações vitimadas: Challenger, em 1986 (Missão STS-51L) e Columbia, em 2003 (Missão STS-107). Crédito: NASA

Além da professora McAuliffe, as vítimas foram o comandante Francis Scobee, o piloto Michael Smith, os especialistas Ellison Onizuka, Judith Resnik e Ronald McNair, o engenheiro Gregory Jarvis. Foi o primeiro grande desastre tecnológico com vítimas a ser testemunhado ao vivo por um público tão amplo, incluindo escolas, canais de TV e pessoas em diferentes partes do mundo.

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Tragédia poderia ter sido evitada

O governo dos Estados Unidos reuniu um grupo para investigar as causas do acidente. Conhecido como Comissão Rogers, o comitê reuniu militares, engenheiros e especialistas do setor espacial. Em junho de 1986, o relatório final concluiu que a explosão foi provocada pela falha de uma vedação em um dos foguetes auxiliares. O frio intenso do dia do lançamento comprometeu o material de borracha, permitindo que gases quentes escapassem e atingissem o tanque principal de combustível.

De acordo com a Associated Press, o documento também destacou falhas de comunicação interna. Engenheiros da NASA e da empresa Morton Thiokol haviam alertado sobre os riscos do lançamento sob temperaturas tão baixas, mas essas preocupações não foram tratadas com o devido rigor. O caso virou referência em debates sobre como grandes instituições lidam com riscos e prevenção.

NASA instituiu o “Dia da Lembrança”

Após o desastre, o programa dos ônibus espaciais ficou suspenso por quase três anos. Os foguetes auxiliares passaram por reformulações, protocolos de segurança foram reforçados e mudanças estruturais criaram canais para que alertas técnicos chegassem aos tomadores de decisão sem barreiras hierárquicas.

Today, we pause to remember. 🕯️

On @NASA’s Day of Remembrance, we honor the crews of Apollo 1, Challenger, and Columbia, and all members of the NASA family lost in pursuit of exploration. Their legacy guides our commitment to learning, vigilance, and safety as we reach farther. pic.twitter.com/hb6QDM7aja

— NASA’s Johnson Space Center (@NASA_Johnson) January 22, 2026

Quatro décadas depois, o desastre do Challenger continua sendo lembrado como um divisor de águas na exploração espacial. Todos os anos, no final de janeiro, a NASA realiza o “Dia da Lembrança” para homenagear as tripulações das missões Apollo 1 (que sofreu um incêndio durante um teste em solo, em 1967) e Columbia (perdida após uma falha na reentrada em 2003, colocando fim à era dos ônibus espaciais). A cerimônia reúne familiares, colegas e autoridades no Centro Espacial Kennedy e mantém viva a memória desses tristes episódios.