O principal suspeito de envolvimento na morte de três pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal, chegou a trabalhar em uma UTI pediátrica de outra instituição após os crimes. A informação foi confirmada pela Polícia Civil, que conduz a investigação.
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Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, foi desligado do Hospital Anchieta ainda em 2025, durante uma apuração interna aberta após a identificação de mortes consideradas suspeitas entre os dias 17 de novembro e 1º de dezembro. O hospital comunicou o caso às autoridades antes da deflagração da operação policial.
Segundo os investigadores, no momento em que Marcos Vinícius foi preso, no dia 11 de janeiro, ele já havia sido contratado por outro hospital, onde atuava em uma UTI infantil. Além dele, duas técnicas de enfermagem também foram detidas por suspeita de participação nos crimes.
De acordo com o delegado Wisllei Salomão, a investigação segue em andamento e não descarta a existência de outras vítimas, tanto no Hospital Anchieta quanto em outras unidades de saúde onde o técnico trabalhou. Marcos Vinícius atuou por cerca de um ano no Anchieta e possui aproximadamente cinco anos de experiência na área da saúde.
Como funcionava o esquema
As apurações indicam que o técnico utilizava o acesso de médicos ao sistema hospitalar para prescrever medicamentos de forma irregular. Ele retirava as substâncias na farmácia, preparava as doses e as escondia no jaleco antes de aplicá-las diretamente na corrente sanguínea dos pacientes.
As duas técnicas suspeitas teriam facilitado as ações ao vigiar a entrada dos quartos, impedindo a circulação de outros profissionais. Para tentar mascarar o crime, Marcos Vinícius ainda simulava manobras de reanimação cardíaca nas vítimas. Em um dos casos, uma paciente de 75 anos recebeu repetidas aplicações de desinfetante por via intravenosa.
As vítimas identificadas são uma professora aposentada de 75 anos, um servidor público de 63 anos e um funcionário dos Correios de 33 anos. Todos os casos são investigados como homicídio qualificado, devido às circunstâncias agravantes apontadas pela Polícia Civil.
As prisões ocorreram durante uma operação que também cumpriu mandados de busca e apreensão em diferentes cidades do Distrito Federal e do Entorno. A polícia segue analisando dispositivos eletrônicos apreendidos e apurando possíveis novos desdobramentos do caso.
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