Um homem de 37 anos foi preso nesta sexta-feira (30), em Campo Limpo Paulista, no interior de São Paulo, sob suspeita de perseguir a atriz Daniele Suzuki por meio da internet. A prisão preventiva havia sido determinada pela Justiça ainda em dezembro e foi cumprida após o investigado se apresentar voluntariamente à polícia, acompanhado de seu advogado.
De acordo com o registro policial, Danilo da Silva Macedo é investigado por stalking. A defesa informou que ele estava internado em uma clínica psiquiátrica desde outubro, o que teria impedido a apresentação imediata às autoridades. Ainda segundo o advogado Adriano Cavalheiro, o homem afirma acreditar que mantinha um relacionamento com a atriz, versão que é contestada no inquérito.
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Em outubro do ano passado, policiais cumpriram diligências na residência do suspeito e apreenderam um computador e um celular, que foram encaminhados para perícia. Conforme a investigação, Daniele Suzuki solicitou uma medida protetiva após receber mensagens insistentes e ameaçadoras. Mesmo após ser intimado oficialmente, o homem teria continuado a entrar em contato, o que motivou o pedido de prisão preventiva.
Daniele Suzuki se pronuncia
Após se apresentar na delegacia, o suspeito foi encaminhado ao Centro de Triagem, onde permanece à disposição da Justiça. Em nota, Daniele Suzuki afirmou que demorou a registrar a ocorrência por acreditar que o homem enfrentava problemas relacionados à percepção da realidade, mas destacou que a situação se agravou com o envio de ameaças à sua vida e à de familiares, amigos e pessoas do convívio profissional, tornando inevitável a busca por proteção legal.
“O que começou como uma postura de admiração pela minha trajetória profissional e pessoal evoluiu para mensagens com ameaças, inclusive de morte, inicialmente direcionadas a mim e, posteriormente, a familiares, amigos e até parceiros de trabalho. A escalada de violência, mesmo sem qualquer resposta da minha parte, e a persistência desse comportamento evidenciaram a gravidade da situação, e entendi que precisava agir não apenas pela minha segurança, mas principalmente pela das pessoas que amo. No momento, o caso segue sob responsabilidade das autoridades competentes. É tudo que direi por agora. Agradeço profundamente a preocupação de todos”, comunicou a atriz.
O que é stalking?
O stalking é caracterizado pela perseguição insistente e obsessiva de uma pessoa, prática que pode causar medo, insegurança e sérios impactos psicológicos à vítima. O autor da conduta, conhecido como stalker ou perseguidor, pode adotar comportamentos que variam entre atitudes aparentemente cordiais e ações claramente invasivas ou ameaçadoras.
Segundo o especialista Dr. Spencer Toth Sydow, o stalking envolve uma obsessão contínua, na qual o perseguidor passa a observar, vigiar e analisar detalhadamente a rotina, os hábitos e as preferências da vítima, mantendo uma presença constante e indesejada em sua vida.
Esse tipo de crime costuma ocorrer em contextos onde há algum grau de proximidade entre agressor e vítima, o que intensifica a sensação de vulnerabilidade. A repetição das condutas provoca restrições à liberdade individual, afetando o direito da pessoa de circular, se expressar e conduzir sua vida de forma tranquila.
Com o avanço da perseguição, é comum que a vítima passe a evitar determinados locais ou alterar sua rotina, enquanto o perseguidor se mantém fixado em seu deslocamento e comportamento, ampliando o controle psicológico e o impacto do delito.
Perseguição passa a ser crime
A perseguição reiterada, seja no ambiente virtual ou de forma presencial, passou a ser crime no Brasil desde abril de 2021. A lei 14.132/21, art. 147-A, que alterou o Código Penal e tipificou oficialmente a prática conhecida como stalking.
A legislação estabelece punição para quem ameaça, intimida ou invade a privacidade de outra pessoa de maneira persistente, comprometendo sua liberdade ou segurança. A conduta pode envolver mensagens constantes, monitoramento, abordagens frequentes ou vigilância direta.
De acordo com a norma, a pena prevista para o crime de perseguição varia de seis meses a dois anos de prisão, além de multa. No entanto, o tempo de detenção pode ser aumentado em casos com agravantes, como quando a vítima é mulher, criança, idoso ou quando há uso de meios que ampliem o risco, podendo chegar a até três anos de reclusão.
A criminalização do stalking representou um avanço na proteção das vítimas, especialmente diante do crescimento das perseguições por redes sociais e aplicativos de mensagens, que passaram a ser reconhecidas legalmente como formas de violência.
Denuncie
Especialistas alertam que, quando a perseguição passa a gerar medo e obriga a vítima a mudar hábitos ou rotinas, é fundamental procurar ajuda policial. Esse tipo de situação pode indicar a prática do crime de stalking, que exige resposta rápida para evitar agravamento.
A orientação é que a vítima registre um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima ou utilize a delegacia eletrônica, disponível em vários estados. O registro pode ser feito mesmo sem conhecer a identidade do perseguidor, já que, especialmente nos casos virtuais, é comum o uso de perfis falsos. Nesses casos, a polícia pode solicitar às plataformas digitais dados que ajudem a identificar o responsável.
Para que a investigação avance, é necessário que a vítima manifeste formalmente o desejo de que o agressor seja responsabilizado, procedimento conhecido como representação criminal. Sem essa etapa, o inquérito não pode prosseguir.
Reunir evidências
Embora não seja obrigatório apresentar provas no momento do registro, autoridades e especialistas recomendam reunir evidências da perseguição sempre que possível. Em situações ocorridas na internet, capturas de tela de mensagens, comentários ou ameaças podem ajudar.
Segundo a advogada Christiany Pegorari Conte, existem ainda alternativas para reforçar a validade das provas, como a ata notarial, em que um cartório certifica a existência de determinado conteúdo on-line em uma data específica. Outra opção é recorrer a empresas especializadas em registro de provas digitais, que oferecem maior segurança quanto à integridade das informações apresentadas.
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