‘Soro da morte’: saiba como desinfetante agiu no organismo das vítimas de técnicos de enfermagem

A aplicação de produtos químicos, como desinfetantes hospitalares, diretamente na corrente sanguínea pode levar à morte em poucos minutos. A explicação foi dada pelo médico infectologista Jean Gorinchteyn, ao comentar os desdobramentos da operação policial conhecida como “Soro da Morte”, que investiga a morte de pacientes em um hospital público do Distrito Federal.

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Segundo o especialista, em entrevista ao programa Bora Brasil, essas substâncias provocam reações imediatas no organismo, especialmente no sangue e no funcionamento elétrico do coração, resultando em arritmias graves e parada cardíaca.

Alterações rápidas no sistema cardiovascular

De acordo com Gorinchteyn, o contato direto do desinfetante com a circulação sanguínea desencadeia um colapso fisiológico quase instantâneo. Os produtos químicos alteram a composição do sangue e interferem na condução elétrica do coração.

“Isso leva a arritmias severas e, na sequência, à parada cardíaca por ação direta dessas substâncias”, explicou o médico durante a entrevista.

O especialista ressaltou que não se trata de uma reação lenta ou progressiva, mas de um processo abrupto, com rápida perda das funções vitais.

Possível ausência de dor nas vítimas

Apesar da extrema agressividade do método, Gorinchteyn afirmou que, em muitos casos, as vítimas possivelmente não sentiram dor. Segundo ele, os pacientes estavam em estado crítico no momento da aplicação das substâncias.

“Muito possivelmente não tiveram a percepção de desconforto, uma vez que estavam sedadas, entubadas e com rebaixamento da condição neurológica”, afirmou.

A condição clínica dos pacientes teria reduzido a capacidade de percepção consciente durante o episódio.

Operação apura mortes em hospital do DF

A análise médica veio à tona após a deflagração da operação “Soro da Morte”, que resultou na prisão de três técnicos de enfermagem em Taguatinga, no Distrito Federal. Os investigados foram identificados como Leandro Pinto da Silva, Edifânia de Almeida e Leandro de Almeida.

Eles são suspeitos de provocar a morte de pacientes por meio da aplicação de substâncias inadequadas na veia, com o objetivo de reduzir a carga de trabalho durante os plantões, principalmente no período da madrugada.

Investigação aponta possibilidade de mais vítimas

A Polícia Civil do Distrito Federal confirmou, até o momento, três mortes diretamente relacionadas ao esquema. No entanto, o número pode ser maior. As autoridades apuram outros 20 óbitos considerados suspeitos, ocorridos na mesma unidade hospitalar e sob responsabilidade dos técnicos presos.

O esquema teria sido descoberto após colegas de trabalho relatarem um aumento incomum de mortes durante os turnos em que os investigados estavam de serviço.

Técnicos respondem por homicídio qualificado

Os suspeitos foram denunciados e agora respondem por homicídio qualificado. A investigação segue em andamento para esclarecer a extensão do caso e confirmar o número total de vítimas envolvidas.

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