O policial militar Alan Melo Martins começa a ser julgado pelo Tribunal do Júri de Rio Branco a partir da próxima segunda-feira (12), por um caso ocorrido em maio de 2019 que chocou a capital acreana. Ele é acusado de homicídio doloso pela morte de Silvinha Pereira da Silva e de tentativa de homicídio contra o marido da vítima, após um atropelamento registrado na Estrada Dias Martins.
O caso teve grande repercussão à época porque, segundo as investigações, o policial conduzia um Chevrolet Ônix vermelho em alta velocidade, causando uma sequência de acidentes ao longo de uma das vias mais movimentadas da cidade. Testemunhas relataram que, antes de atingir o casal que estava em uma motocicleta, o motorista teria atropelado outra pessoa nas proximidades do Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp), sem prestar socorro.
MP aponta excesso de velocidade, fuga e consumo de álcool antes do acidente/Foto: Reprodução
Após esse primeiro atropelamento, o veículo continuou trafegando de forma perigosa até atingir o casal. Silvinha sofreu ferimentos graves, incluindo fratura exposta em uma das pernas, e foi levada ao pronto-socorro, mas não resistiu e morreu no dia seguinte. O marido dela também ficou ferido e relatou à equipe do Samu que não sentia as pernas no momento do resgate.
Mesmo depois de atingir as vítimas, o carro seguiu em alta velocidade por cerca de um quilômetro e só parou após colidir na rotatória próxima ao Supermercado Araújo Mix, onde chegou a derrubar um poste de iluminação pública. O condutor também ficou ferido e foi socorrido.
Caso ocorreu em 2019 na Estrada Dias Martins e também deixou o marido da vítima ferido/Foto: Reprodução
Durante as investigações, o Ministério Público do Acre (MP-AC) concluiu que o policial estava embriagado no momento do acidente. Em coletiva de imprensa realizada dias após o caso, promotores afirmaram que as provas reunidas, incluindo depoimentos e imagens, apontavam para a ingestão de bebida alcoólica antes de dirigir. Um laudo pericial também indicou que o veículo trafegava a cerca de 130 km/h em um trecho onde a velocidade máxima permitida era de 40 km/h.
Diante das evidências, o MP pediu a prisão preventiva do militar, que chegou a ficar preso em 2019. Ao longo dos anos, o processo passou por diferentes fases judiciais, até que a Justiça decidiu levar o caso a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Investigação apontou velocidade de 130 km/h em trecho com limite de 40 km/h/Foto: Reprodução
O julgamento será conduzido pela 2ª Vara do Tribunal do Júri e Auditoria Militar de Rio Branco e está previsto para durar três dias, com oitivas de testemunhas de acusação e defesa, além do interrogatório do réu. A defesa sustenta que não houve intenção de matar e pede a desclassificação dos crimes, enquanto o Ministério Público mantém o entendimento de homicídio doloso e tentativa de homicídio.
O caso volta a ganhar atenção pública quase sete anos depois do acidente, agora com a expectativa de definição da responsabilidade criminal no julgamento popular.
