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Segurança pública ganha destaque e vira arma eleitoral da direita

A menos de um ano do pleito eleitoral de 2026, quando o Brasil votará para presidente, senador e deputado federal, um tema ganhou destaque, em especial entre candidatos de direita e centro direita: segurança pública.

Com acontecimentos recentes, como a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro — que resultou em mais de 100 mortos e já é considerada a mais letal da história do estado —, a cobrança por respostas para a criminalidade ficou maior. Outro fator que deu impulso para a pauta foi a invasão de facções criminosas em espaços cada vez mais próximos do poder público.

Calcanhar de Aquiles


“Toda vez que a gente fala de combater as drogas, possivelmente seria mais fácil a gente combater os nossos viciados internamente, os usuários. Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também”, disse Lula em um evento, no sudeste asiático, ano passado. A fala repercutiu mal e se tornou uma das maiores armas de opositores políticos do petista.

Para André Rosa, professor de ciências políticas do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), a direita deve ventilar o tema novamente para tentar repetir as eleições de 2018, nas quais a pauta foi um dos principais temas abordados por Jair Bolsonaro (PL), que acabou vencendo a disputa contra o candidato Fernando Haddad (PT).

“O centro direita tenta reaver o poder com a mesma tratativa, com a mesma estratégia realizada em 2018, que é exacerbar o tema da segurança pública, explorar o tema da segurança pública para que esses eleitores que votam a partir dessa temática consigam se alinhar ao discurso da centro direita. Então, tem uma questão muito interessante que tenta se copiar o que foi feito em 2018, de uma certa maneira, em relação à exploração da segurança pública, em meio até à invasão que teve nas comunidades do Rio de Janeiro.”

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Economia

No entanto, o especialista afirma que a economia ainda deve ser o tema de maior interesse do eleitor em 2026. “Vão discutir muito segurança pública, mas, no fim das contas, o que pesa é o voto econômico, principalmente. São fatores relacionados à inflação e à economia, não é apenas macroeconomia, mas principalmente geração de emprego, renda e que o salário ou os provimentos realmente não sejam totalmente corroídos pela inflação”, explica.

André Rosa diz que o tema da segurança pública será muito debatido, porque se encaixa bem no discurso que candidatos de direita apresentam. “Então a tendência é que isso circule ainda mais durante as campanhas, a criação da segurança pública e principalmente caso pelos candidatos. Um deles é o Bolsonaro. O Caiado também é um deles, que atua bastante nessa temática em Goiânia e no estado de Goiás. Mas o principal indutor de voto continua sendo econômico”, conclui André.

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