A Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre (SEE) divulgou nesta segunda-feira, 12, o calendário oficial do ano letivo de 2026 da rede estadual de ensino. O documento, que recebeu aval do Conselho Estadual de Educação (CEE/AC), estabelece datas diferentes para o início das aulas conforme a etapa de ensino e prevê ajustes caso haja impactos climáticos.

Durante o evento, o secretário de Educação e Cultura, Aberson Carvalho, explicou que o calendário foi elaborado levando em consideração a realidade geográfica e ambiental do estado/Foto: Mardilson Gomes/SEE
De acordo com o cronograma, os estudantes do ensino médio retornarão às salas de aula no dia 9 de fevereiro, enquanto o ensino fundamental terá início em 23 de fevereiro. A definição foi anunciada durante a abertura da 1ª Jornada Pedagógica para Representações da SEE nos Municípios, realizada em Rio Branco, com a presença de coordenadores que atuam como ligação entre a secretaria e as escolas dos 22 municípios acreanos.
Durante o evento, o secretário de Educação e Cultura, Aberson Carvalho, explicou que o calendário foi elaborado levando em consideração a realidade geográfica e ambiental do estado, especialmente no período de cheias.
A antecipação do início das aulas para o ensino médio também foi definida a partir de critérios pedagógicos e de desempenho em avaliações nacionais/Foto: Mardilson Gomes/SEE
“Essa é uma previsão, porque depende se haverá ou não enchentes nos municípios. Em 2024, por exemplo, 19 municípios foram alagados, o que impediu o início do ano letivo. Por isso, colocamos como previsão, pois depende da questão climática nesse período”, explicou.
A antecipação do início das aulas para o ensino médio também foi definida a partir de critérios pedagógicos e de desempenho em avaliações nacionais. Segundo o secretário, a medida busca ampliar o tempo de preparação dos alunos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
A 1ª Jornada Pedagógica tem como objetivo analisar os resultados do ano letivo de 2025 e alinhar estratégias para fortalecer o processo de ensino e aprendizagem em 2026: Foto: Mardilson Gomes/SEE
“A escolha de termos um início antecipado para os estudantes do ensino médio é justamente pensando no Enem. Essa semana a mais faz diferença para quem vai prestar o exame. O objetivo é concluir o ano letivo dentro do ano vigente”, ressaltou.
Além da apresentação do calendário, Aberson Carvalho anunciou um conjunto de investimentos previstos para 2026 voltados à modernização da rede estadual. Entre as ações estão a entrega de mais de 900 computadores às escolas, a continuidade da distribuição de tablets com acesso à internet para alunos do ensino médio e a implantação do programa Acre no Mundo, que oferecerá intercâmbio internacional a 100 estudantes da rede pública.
“Esse programa de intercâmbio tem a finalidade de permitir que esses estudantes tenham acesso a outras línguas e culturas, abrindo um leque de possibilidades. Teremos representantes dos 22 municípios do Acre”, afirmou.
Planejamento pedagógico e avaliação dos resultados
A 1ª Jornada Pedagógica tem como objetivo analisar os resultados do ano letivo de 2025 e alinhar estratégias para fortalecer o processo de ensino e aprendizagem em 2026. O encontro reúne representantes de todas as modalidades da educação estadual, incluindo educação especial, Educação de Jovens e Adultos (EJA), ensino fundamental e médio.
Para a diretora de Ensino da SEE, Gleice Souza, o formato da jornada garante que o planejamento elaborado chegue de forma efetiva às escolas, inclusive nas regiões mais afastadas.
“O que acontece aqui será multiplicado em cascata no interior, formando os representantes de cada escola. Ao mesmo tempo, nossa equipe vai formar, na última semana de janeiro, os diretores e coordenadores das escolas de Rio Branco, enquanto o mesmo processo ocorre no interior”, completou.
Durante o encontro, o secretário também destacou os avanços obtidos pela educação acreana após o período da pandemia.
“Foi um período de desafios, de luta, de transformações e de adaptações. Tivemos que sair da caixinha, inovar e reaprender para poder ensinar. Hoje, nossas avaliações internas e externas mostram que conseguimos a recomposição da aprendizagem. Nossos alunos já estão no mesmo nível ou até melhores do que em 2019”, destacou.
Aberson Carvalho ainda comentou sobre a mobilização das escolas para as avaliações externas.
“Nunca antes houve um movimento tão grande para a realização do Saeb. A mobilização de estudantes e professores foi histórica e isso, sem dúvida, refletirá em resultados ainda melhores no Ideb de 2025”, afirmou.
Logística, interior e desafios regionais
Representantes dos municípios do interior também relataram os desafios enfrentados para garantir o funcionamento das unidades escolares, principalmente em regiões de difícil acesso. O representante do Núcleo de Santa Rosa, Jekson de Almeida, destacou a importância da integração com a capital e da unificação do calendário.
“Santa Rosa sempre começava o ano letivo em março ou abril. Hoje, conseguimos iniciar junto com Rio Branco. Isso é uma conquista enorme para nós”, ressaltou.
Ele também falou sobre as dificuldades logísticas enfrentadas durante o período de seca.
“A logística é grande. Em alguns casos, levamos até 20 dias para chegar às escolas quando o rio está seco. Mas hoje temos avanços importantes, como o envio de alimentos perecíveis por avião, algo que antes não acontecia”, afirmou.
Já a representante do Núcleo de Feijó, Marineis Dantas, destacou os desafios específicos das escolas indígenas e do campo.
“Temos 38 escolas indígenas e mais de 54 anexos do campo. Gastamos até 18 dias para garantir que a merenda chegue à última escola. É um desafio enorme, mas com o apoio da secretaria conseguimos garantir material, alimentação, transporte e professores”, destacou.
Para ela, a Jornada Pedagógica fortalece o diálogo entre a SEE e os municípios.
“Tudo o que planejamos aqui se reflete diretamente na sala de aula. Esse diálogo nos permite ressignificar o trabalho nos municípios e fortalecer o processo de aprendizagem dos nossos alunos”, concluiu.