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Saiba quem é Layla Ayub, delegada envolvida com o PCC

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Saiba quem é Layla Ayub, delegada envolvida com o PCC

A delegada de polícia Layla Lima Ayub foi presa na manhã desta sexta-feira (16), em São Paulo, sob suspeita de envolvimento com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A prisão ocorreu pouco mais de um mês após sua posse no cargo.

Ayub havia tomado posse em dezembro do ano passado e ainda se encontrava em fase de formação na Academia de Polícia, sem atuar diretamente nas funções de delegada, conforme informou o governo do Estado.

Durante entrevista coletiva, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou que as investigações indicam que a delegada mantinha vínculo direto com o crime organizado. Segundo ele, mesmo após a posse, Layla teria atuado como advogada em audiências de custódia de integrantes do PCC no Pará, prática considerada incompatível com o cargo público que passou a ocupar.

De acordo com o Ministério Público de São Paulo, a delegada manteve um relacionamento amoroso com Jardel Neto, apontado como integrante da facção criminosa no Norte do país. Ele foi condenado por tráfico de drogas e é identificado como uma das lideranças do grupo na região, com atuação principalmente em Roraima.

As investigações indicam que Layla se aproximou de Jardel enquanto atuava na defesa jurídica de faccionados presos em Marabá, no Pará, e que passou a visitá-lo com frequência na unidade prisional. O homem estava em liberdade condicional desde novembro.

Unidos pelo crime

Segundo o promotor Carlos Gaya, Jardel se deslocou de forma irregular para São Paulo acompanhado da delegada, o que configuraria descumprimento das regras da condicional. Ele também foi alvo de mandado de prisão expedido pela Justiça.

O casal passou a morar junto na capital paulista. Conforme apuração do Ministério Público, Layla teria levado Jardel à sua cerimônia de posse como delegada, evento que contou com a presença de diversas autoridades, entre elas o governador Tarcísio de Freitas.

Ainda segundo os investigadores, os dois negociavam a compra de uma padaria na zona leste de São Paulo, e a suspeita é de que o estabelecimento fosse utilizado para lavagem de dinheiro proveniente de atividades criminosas.

As apurações apontam também que Layla mantinha vínculo profissional com integrantes da facção, exercendo a advocacia para presos ligados ao PCC, mesmo após assumir o cargo público.

Na decisão que autorizou a prisão, o juiz Paulo Fernando de Mello, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da capital paulista, destacou a necessidade de aprofundar as investigações, mas ressaltou que os indícios reunidos até o momento são robustos.

“Os indícios são mais do que veementes, com gravações, registros de audiências, fotografias, entre outros elementos”, escreveu o magistrado.

A prisão integra a Operação Serpens, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), em conjunto com a Corregedoria-Geral da Polícia Civil de São Paulo e o GAECO do Pará. Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em São Paulo e em Marabá.

Trajetória profissional

Em redes sociais, Layla se apresentava como delegada de polícia, ex-advogada criminalista e ex-policial militar do Espírito Santo. Documentos oficiais indicam que ela atuou como PM em cidades como Mimoso do Sul e Alegre.

Em seu currículo profissional, a delegada afirma ser especialista em direito e processo penal. Consta ainda formação em gestão ambiental, concluída em 2011, e graduação em direito, finalizada em 2020. Ela também declarou ter atuado como servidora pública por nove anos.

Layla aparece ainda como integrante da Comissão da Criança e do Adolescente da OAB, subseção de Marabá, conforme publicações institucionais.

A Polícia Civil de São Paulo informou que não há indícios de que a facção tenha financiado sua formação, levantando a hipótese de que a delegada tenha sido cooptada ao longo do contato com lideranças criminosas em presídios no Pará, relação que teria se intensificado após o envolvimento afetivo.

Até a última atualização desta reportagem, a defesa de Layla Ayub não havia sido localizada para comentar o caso.

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