O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) tornou público, nesta semana, o relatório conclusivo sobre o acidente envolvendo o helicóptero Bell 206B, de matrícula PT-HQB, ocorrido em maio de 2022, na região de Cruzeiro do Sul. De acordo com a análise técnica conduzida por peritos da Força Aérea Brasileira, a aeronave sofreu uma pane grave no motor, provocada pela fadiga de componentes internos do compressor.

Diante da situação crítica, o piloto conseguiu executar um pouso de emergência em uma área de vegetação fechada e terreno alagadiço, nas proximidades do Rio Crôa: Foto/Reprodução
O acidente aconteceu no dia 8 de maio de 2022, quando o helicóptero transportava passageiros da Aldeia Terra Nova, no município de Feijó, com destino ao aeródromo de Cruzeiro do Sul. A cerca de 20 milhas náuticas do local de pouso, o motor apresentou perda repentina de potência.
Diante da situação crítica, o piloto conseguiu executar um pouso de emergência em uma área de vegetação fechada e terreno alagadiço, nas proximidades do Rio Crôa. O impacto provocou danos severos à estrutura da aeronave, incluindo destruição dos rotores e esquis. Apesar da gravidade do acidente, não houve vítimas fatais. Seis ocupantes sofreram ferimentos leves, enquanto um mecânico da tripulação teve lesões graves.
A investigação apontou que o problema teve início com o rompimento de uma palheta do segundo estágio do compressor. Exames realizados por microscopia eletrônica confirmaram que a peça apresentava fraturas típicas de fadiga, originadas em pontos de corrosão.
Segundo o relatório, a quebra inicial desencadeou uma reação em cadeia, com o desprendimento de outras partes internas, levando à destruição do motor. Também foram identificados indícios de vibração excessiva no compressor, fator que contribuiu para o desgaste acelerado dos componentes. Embora a documentação de manutenção estivesse regular, o CENIPA levantou questionamentos sobre a eficiência dos procedimentos de limpeza e conservação, indicando que os serviços podem não ter sido executados com o rigor técnico necessário.
Como desdobramento da investigação, o CENIPA emitiu recomendações à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) para que intensifique a fiscalização da empresa responsável pela aeronave, com o objetivo de assegurar que os processos de manutenção e supervisão técnica estejam em conformidade com os padrões exigidos pela aviação civil brasileira.