As mortes de três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal, passaram a ser investigadas pela Polícia Civil após indícios de aplicações irregulares de substâncias por técnicos de enfermagem. Os óbitos ocorreram entre novembro e dezembro de 2025 e atingiram pessoas com perfis, idades e históricos médicos distintos, mas que apresentaram piora súbita pouco antes de morrer.
- Polícia investiga técnicos suspeitos de matar pacientes com substância letal
As vítimas foram identificadas como Miranilde Pereira da Silva (75), João Clemente Pereira (63), e Marcos Raymundo Fernandes Moreira (33). Familiares confirmaram as identidades e acompanham o avanço das investigações, que tramitam sob sigilo.
Suspeita de homicídios na UTI
De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal, um técnico de enfermagem de 24 anos é apontado como o principal suspeito de aplicar doses letais de medicamentos em pacientes da UTI. Em um dos casos, ele também teria injetado desinfetante diretamente na veia da vítima.
Duas técnicas de enfermagem, de 22 e 28 anos, também são investigadas por supostamente auxiliar e acobertar a conduta do colega em duas das mortes. Os nomes dos ex-funcionários não foram divulgados, assim como as substâncias utilizadas de forma irregular.
Professora aposentada morreu após várias aplicações
Miranilde Pereira da Silva (75) morreu em 17 de novembro de 2025. Professora aposentada da rede pública do Distrito Federal, ela morava em Taguatinga e atuou por anos na Regional de Ensino de Ceilândia, na Escola Classe 03, segundo o Sindicato dos Professores no DF.
Conforme o inquérito, Miranilde recebeu quatro aplicações de um medicamento e, após cada uma, sofreu parada cardíaca, sendo submetida a manobras de reanimação. Como não morreu inicialmente, o técnico teria aplicado mais de dez doses de um desinfetante retirado de um frasco armazenado na própria UTI.
A professora foi enterrada no dia 19 de novembro, no Cemitério Campo da Esperança. Ela deixou filhos, netos e bisnetos. Os três suspeitos presos respondem por homicídio nesse caso.
Servidor público morreu no mesmo dia
Também em 17 de novembro de 2025, morreu João Clemente Pereira (63). Morador do Riacho Fundo I, ele era servidor da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal, onde exercia a função de supervisor de manutenção.
Segundo a Polícia Civil, João Clemente recebeu duas aplicações irregulares de medicamento. Dois suspeitos respondem pelo homicídio. A família afirma que acreditava, até meados de janeiro, que a morte havia ocorrido por causas naturais e só foi informada sobre a investigação criminal dias depois.
Em nota, os familiares manifestaram pesar e indignação, destacando que a UTI deveria ser um ambiente de proteção à vida. Eles afirmaram que vão adotar todas as medidas legais cabíveis, inclusive na esfera cível.
Carteiro morreu em dezembro
A terceira vítima é o carteiro Marcos Raymundo Fernandes Moreira (33), que morreu em 1º de dezembro de 2025. Ele morava em Brazlândia e trabalhava no Centro de Distribuição Domiciliar dos Correios da região.
A investigação aponta que Marcos recebeu uma aplicação irregular de substância. Assim como no caso do servidor público, dois profissionais respondem pelo homicídio. O velório ocorreu no dia 2 de dezembro, no Cemitério Campo da Esperança de Brazlândia.
Investigações seguem sob sigilo
A Polícia Civil ainda apura se há outros casos semelhantes no Hospital Anchieta ou em unidades de saúde onde os suspeitos tenham atuado anteriormente. O inquérito segue sob sigilo judicial.
O Hospital Anchieta informou que identificou circunstâncias atípicas nos óbitos, instaurou investigação interna e encaminhou as evidências às autoridades, o que resultou na abertura do inquérito policial e na prisão dos ex-funcionários. A instituição afirmou que está colaborando integralmente com as investigações.
O Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal declarou que abriu procedimento para apurar eventual responsabilidade médica, ressaltando que as esferas criminal, civil e administrativa são independentes.
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