Polícia investiga técnicos suspeitos de matar pacientes com substância letal

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga a atuação de técnicos de enfermagem suspeitos de provocar a morte de pacientes dentro do Hospital Anchieta, em Taguatinga, por meio da aplicação de uma substância considerada letal e de difícil detecção em exames iniciais. Os crimes ocorreram nos meses de novembro e dezembro de 2025 e são tratados oficialmente como homicídios.

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O caso veio à tona após denúncia feita pelo próprio hospital, que identificou circunstâncias atípicas em três óbitos registrados na Unidade de Terapia Intensiva. As apurações integram a Operação Anúbis, conduzida pela Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP), com apoio do Departamento de Polícia Especializada (DPE).

Segundo fontes ligadas à investigação, os suspeitos teriam aplicado uma substância diretamente na veia das vítimas. O composto em análise é o cloreto de potássio, que, quando administrado fora de protocolos médicos, pode provocar parada cardíaca em poucos minutos.

O uso dessa substância chama a atenção dos investigadores por se tratar de um agente capaz de levar à morte sem deixar sinais evidentes em um primeiro momento, o que dificulta a identificação da causa real do óbito e pode simular morte natural ou complicações clínicas.

Na primeira fase da operação, deflagrada na manhã de 11 de janeiro, dois investigados foram presos temporariamente por determinação judicial. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, no Entorno do Distrito Federal.

Durante as diligências, a polícia apreendeu documentos e dispositivos eletrônicos considerados relevantes para a investigação. O material passou a ser analisado com o objetivo de reconstruir a dinâmica dos crimes, verificar se houve planejamento e apurar se o método foi repetido em mais de um caso.

De acordo com a PCDF, a investigação busca esclarecer se as mortes ocorreram de forma isolada ou se houve um padrão de atuação dentro da unidade hospitalar, além de identificar possíveis comparsas e eventuais falhas nos controles internos do hospital.

A apuração ganhou novo desdobramento na última quinta-feira (15), com a deflagração da segunda fase da Operação Anúbis. Nesta etapa, a Polícia Civil cumpriu mais um mandado de prisão temporária contra uma investigada e realizou novas apreensões de aparelhos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.

Os investigadores afirmam que os equipamentos apreendidos devem auxiliar na análise de comunicações, registros de plantão e possíveis vínculos entre os envolvidos, além de contribuir para a confirmação do uso da substância e da motivação dos crimes.

Em nota, o Hospital Anchieta informou que instaurou, por iniciativa própria, um comitê interno de análise ao identificar irregularidades em três mortes ocorridas na UTI. A instituição afirma que, em menos de vinte dias, reuniu evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem e encaminhou formalmente o material às autoridades.

O hospital declarou ainda que solicitou a abertura de inquérito policial e a adoção de medidas cautelares, incluindo a prisão dos envolvidos, que já haviam sido desligados da instituição. As prisões ocorreram nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.

A direção informou que entrou em contato com as famílias das vítimas para prestar esclarecimentos e ressaltou que o caso tramita em segredo de justiça, o que impede a divulgação de informações adicionais e a identificação dos investigados.

A Polícia Civil afirma que as investigações seguem em andamento e que novas medidas não estão descartadas, com o objetivo de esclarecer completamente os fatos, responsabilizar todos os envolvidos e apurar se houve falhas institucionais que permitiram a prática dos crimes dentro do hospital.

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