Juruá Informativo

Podemos e PSDB surgem como rota de fuga para deputados da União Progressista no Acre

A criação da federação entre PP e União Brasil muda o jogo eleitoral no Acre muito antes de 2026. Na prática, concentra poder, votos e mandatos em um espaço pequeno demais para quem já está dentro. E é justamente aí que começa o movimento silencioso de saída.

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A legenda tende a ficar alta, o espaço encolhe e nem todos cabem/Foto: Reprodução

Hoje, PP e União Brasil somam seis das oito cadeiras da bancada federal acreana na Câmara dos Deputados. Com a federação, essas seis vagas passam a disputar o mesmo guarda-chuva partidário. O problema é matemático e político ao mesmo tempo: muita gente com mandato para pouca chance real de reeleição. A legenda tende a ficar alta, o espaço encolhe e nem todos cabem.

Esse cenário acende o alerta entre deputados que sabem, nos bastidores das contas eleitorais, como chegaram lá. Parte deles foi beneficiada pelo efeito puxador de votos, aquele fenômeno clássico em que um nome muito votado acaba carregando colegas menos expressivos. No PP, o exemplo mais evidente é Socorro Neri, a mais votada da última eleição. No União Brasil, Meire Serafim e Coronel Ulysses também passaram com votações robustas, todas acima de 20 mil votos.

Para quem não tem esse lastro próprio, disputar a reeleição dentro de uma federação tão inchada vira aposta de alto risco. E é nesse ponto que siglas menores entram no radar.

PSDB e Podemos aparecem como destinos naturais desses deputados que avaliam a troca. São partidos alinhados ao mesmo campo político, o da centro-direita, o que reduz o custo ideológico da mudança. Além disso, oferecem algo precioso em ano pré-eleitoral: mais espaço na chapa e uma disputa menos congestionada.

A lógica é simples e conhecida de quem acompanha eleições de perto. Em legendas menores, a chance de sobrevivência eleitoral aumenta, sobretudo para parlamentares que dependem mais do desenho da coligação do que de uma votação própria consolidada. Não se trata de afinidade programática, mas de cálculo frio.

A federação União Progressista nasce forte no papel, mas cria, ao mesmo tempo, um efeito colateral previsível: empurra para fora quem percebe que pode virar figurante em uma disputa interna dura demais. PSDB e Podemos observam, aguardam e já sentem a procura crescer. O jogo ainda está no começo, mas os movimentos iniciais indicam que a dança das cadeiras começou bem antes da campanha.

O cenário

No PSDB, a montagem da chapa para deputado federal já conta com nomes considerados competitivos. Minoru Kinpara, Wanda Milani e Pedro Longo aparecem como os principais destaques e dão musculatura ao projeto tucano. Nesse cenário, a eventual chegada de um parlamentar com mandato altera completamente o equilíbrio interno e muda o peso da disputa dentro da legenda.

No Podemos, o desenho é mais nivelado. O partido trabalha com nomes conhecidos do eleitorado, como o ex-prefeito Mazinho Serafim e o ex-deputado Ney Amorim, sem um favoritismo isolado até o momento.

O glorioso

O MDB também entra no radar como possível destino desses parlamentares. Nas últimas eleições, o partido não conseguiu eleger deputado federal pelo Acre e viu seus principais nomes, Flaviano Melo e Jéssica Sales, ficarem fora de Brasília. Para voltar a ser competitivo, a sigla precisa montar uma chapa mais robusta.

Esse movimento, no entanto, passa por uma condição política clara. O MDB só tende a atrair deputados com mandato a depender da posição que adotar na disputa pelo governo. Todos os parlamentares do PP e do União Brasil integram a base do governador Gladson Cameli e a tendência é de apoio à pré-candidatura de Mailza Assis. Isso afunila as opções e praticamente exclui a possibilidade de migração para um partido que não esteja no mesmo palanque da vice-governadora.

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