PM é demitido após trabalhar como médico sem registro

Um policial militar que atuava ilegalmente como médico no interior do Ceará foi demitido da corporação. A decisão foi publicada pela Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e do Sistema Penitenciário (CGD) no Diário Oficial do Estado nesta segunda-feira (19).

O soldado Khlisto Sanderson Ibiapino de Albuquerque foi desligado após a CGD concluir que as condutas cometidas eram incompatíveis com a função militar. Segundo o órgão, o conjunto de provas — incluindo depoimentos, documentos e o histórico funcional — demonstrou a gravidade e a repetição das irregularidades.

De acordo com a investigação, o policial se passou por médico em unidades de saúde do Ceará e do Rio Grande do Norte, utilizando o registro profissional de outro médico para realizar atendimentos clínicos. Ele foi preso em flagrante em julho de 2022, no Hospital Municipal de Paraipaba, no litoral oeste do estado.

Na época, foi apurado que Khlisto conseguiu a vaga por meio de um grupo de WhatsApp. Apesar de alegar ter cursado Medicina em outro país da América do Sul, ele não possuía autorização do Conselho Federal de Medicina (CFM) para atuar no Brasil.

Fraude reiterada e decisão disciplinar

A CGD apontou que o militar inseria informações falsas em documentos públicos, produzia e utilizava receituários médicos de forma irregular e mantinha uma atuação sistemática. Para o órgão, o comportamento configurou uma prática contínua de fraude, o que agravou a punição disciplinar.

Mesmo tendo sido solto após audiência de custódia, o policial estava afastado das funções desde agosto de 2022. A arma funcional foi recolhida e entregue à Controladoria.

Na esfera criminal, Khlisto se tornou réu em outubro de 2024, após denúncia do Ministério Público do Ceará pelo crime de exercício ilegal da medicina. O processo tramita na Vara Única da Comarca de Paraipaba.

Além disso, a Justiça Militar reconheceu a deserção do policial, após ele não retornar ao serviço ao fim de uma licença médica. A decisão confirmou o entendimento da Polícia Militar de que houve abandono da função, encerrando definitivamente o vínculo com a corporação.

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