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Astrônomos anunciaram a descoberta de um novo mundo do tamanho da Terra com cerca de 50% de chance de estar na zona habitável da estrela que orbita. O achado foi descrito em um artigo publicado na quarta-feira (28) na revista científica The Astrophysical Journal Letters. Por reunir características raras, o exoplaneta já é visto como um dos alvos mais promissores na busca por vida fora do Sistema Solar.
Batizado de HD 137010 b, o planeta fica a apenas 146 anos-luz daqui e chama atenção por ser muito semelhante à Terra. Com praticamente o mesmo tamanho, completa uma volta ao redor de sua estrela em 355 dias, um período quase idêntico ao ano terrestre.

Outro fator importante é a estrela em torno da qual o planeta orbita. Segundo a NASA, HD 137010 é uma anã do tipo K, um pouco menor e cerca de 1.000 °C mais fria que o Sol, mas ainda assim relativamente brilhante e estável. Essa combinação facilita futuras observações detalhadas com telescópios avançados que estão em fase de planejamento.
Apesar de orbitar a uma distância parecida com a da Terra em relação ao Sol, HD 137010 b recebe menos energia de sua estrela. Na prática, isso significa que ele pode ser mais frio do que a Terra, possivelmente até mais frio do que Marte. Por esse motivo, os cientistas afirmam que o planeta está próximo da borda mais gelada da chamada zona habitável.
O que é a zona habitável?
A zona habitável é a região ao redor de uma estrela onde a temperatura permite que a água exista em estado líquido na superfície de um planeta. A presença de água líquida é considerada um dos principais requisitos para a vida como a conhecemos. Os cientistas explicam que tudo depende das características da atmosfera. Se ela for pouco eficiente em reter calor, o planeta tem cerca de 40% de chance de estar na zona habitável. Caso a atmosfera consiga reter mais calor, essa probabilidade sobe para 51%. Deve-se considerar também a possibilidade de o planeta ser frio demais para abrigar vida.
Segundo o estudo, há cerca de 50% de chance de o planeta estar completamente fora da zona habitável. Essa incerteza se deve principalmente ao fato de que os astrônomos s[o observaram um único trânsito do planeta diante de sua estrela, registrado em 2017 pelo telescópio espacial Kepler, da NASA.
A primeira pista da existência de HD 137010 b não veio de astrônomos profissionais, mas de voluntários. O planeta foi identificado por participantes do projeto Planet Hunters, que convida cidadãos a analisar dados do Kepler em busca de sinais de novos mundos. O autor principal do estudo, Alexander Venner, do Instituto Max Planck de Astronomia, na Alemanha, retomou essa pista anos depois durante seu doutorado.

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Existem mais de 6 mil planetas fora do Sistema Solar
O Kepler encerrou suas atividades em 2018 após observar mais de 500 mil estrelas. Ele detectava planetas quando eles passavam na frente de suas estrelas, causando pequenas quedas de brilho. No caso de HD 137010 b, o planeta passou despercebido pelos algoritmos automáticos, que buscavam trânsitos repetidos, e não eventos únicos.
Após descartar outras explicações, como a presença de uma estrela companheira escondida, a equipe de Venner concluiu que um planeta do tamanho da Terra era a melhor explicação para os dados. Eles também conseguiram estimar sua órbita a partir do momento em que o trânsito foi observado.
Até hoje, mais de 6.000 exoplanetas já foram descobertos. No entanto, a maioria é grande ou muito quente, pois esses são mais fáceis de detectar. Planetas rochosos, do tamanho da Terra e em zonas habitáveis são raros, especialmente ao redor de estrelas calmas e brilhantes.
Nesse sentido, HD 137010 b se destaca. Por estar relativamente perto e orbitar uma estrela favorável, ele poderá ser estudado por missões espaciais futuras e projetos de observação em solo. Para os cientistas, saber que um planeta com características tão semelhantes às da Terra já existe torna essa estrela um alvo valioso na busca por vida alienígena.
