A Polícia Federal (PF) comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que, durante a análise de materiais apreendidos na investigação sobre esquema de descontos irregulares em aposentadorias do INSS, revelado pelo Metrópoles, surgiram referências ao nome de Fábio Luís Lula da Silva, Lulinha, filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
A informação foi confirmada pela coluna com fontes da corporação.
As citações aparecem em três núcleos de dados, obtidos a partir da quebra de sigilo de investigados ligados ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, preso desde setembro sob suspeita de comandar esquema milionário de fraudes previdenciárias.
Apesar das menções, a PF destacou ao ministro André Mendonça que não há, até o momento, elementos objetivos que apontem envolvimento direto de Fábio Luís nas irregularidades investigadas.
Menções feitas por terceiros
De acordo com os investigadores, o nome do filho do presidente surge em conversas e relatos atribuídos a terceiros, principalmente em diálogos do próprio Careca do INSS e de pessoas do círculo empresarial que orbitava os negócios sob apuração.
Em sua manifestação ao STF, a Polícia Federal alerta que declarações de proximidade com figuras públicas são comuns em ambientes políticos e empresariais, muitas vezes utilizadas como estratégia para ganhar credibilidade ou influência.
Por isso, segundo a corporação, esse tipo de menção precisa ser submetido a uma checagem rigorosa antes de qualquer conclusão.
Depoimento e suspeita de repasses
Um dos elementos analisados pela PF é o depoimento de Edson Claro, ex-funcionário ligado a empresas investigadas. Ele afirmou que Antônio Camilo teria declarado, em conversas privadas, a existência de repasses financeiros a Fábio Luís, incluindo um valor elevado, estimado em cerca de R$ 25 milhões, e pagamentos mensais na faixa de R$ 300 mil.
A Polícia Federal, no entanto, ressaltou que essas afirmações não vieram acompanhadas de provas materiais, como registros bancários ou contratos, e que o próprio declarante admitiu não ter presenciado diretamente os supostos repasses.
Viagens e vínculos indiretos
Outro ponto sob análise envolve viagens realizadas com bilhetes emitidos sob o mesmo localizador por Fábio Luís e Roberta Luchsinger, empresária citada na investigação.
Os deslocamentos incluem trajetos entre São Paulo e Brasília em 2025, período em que Roberta mantinha tratativas comerciais com o Careca do INSS, além de uma viagem internacional para Lisboa em 2024.
A PF ainda não conseguiu identificar quem arcou com os custos das passagens. O destino internacional chamou a atenção dos investigadores porque o empresário preso tentava estruturar negócios ligados ao setor de cannabis medicinal em Portugal.
Preocupação com repercussão
Mensagens extraídas dos celulares dos investigados também revelam preocupação explícita com a associação do nome do filho do presidente ao caso.
Em um dos diálogos, Roberta demonstra receio de que a imprensa vinculasse Fábio Luís aos negócios do Careca do INSS, enquanto o empresário tenta tranquilizá-la, avaliando que apenas determinados aparelhos conteriam informações sensíveis.
Em outro trecho, há referência a um envelope apreendido durante buscas, que conteria ingressos e anotações com o nome do filho do presidente, fato que passou a integrar o conjunto de elementos sob análise da PF.
