‘Pai de santo’ é preso após denúncias de crimes sexuais contra mulheres

Francisco Rinivaldo Barbosa Gomes, conhecido como Pai Nivaldo de Oxóssi (49), foi preso preventivamente na quinta-feira (15), em Fortaleza, após ser denunciado por ao menos sete mulheres por crimes de natureza sexual. Ele é investigado por violação sexual mediante fraude, estupro e violência psicológica contra a mulher.

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A prisão foi determinada pela 10ª Vara Criminal da Comarca de Fortaleza, com base em mandado expedido em dezembro do ano passado. O inquérito tramita em segredo de justiça, e as investigações continuam em andamento.

Atuação religiosa e posicionamento da entidade

Pai Nivaldo é uma figura conhecida no meio religioso e integrava a diretoria da União Espírita Cearense de Umbanda (Uecum). Em nota, a entidade afirmou ter recebido a notícia da prisão com surpresa e declarou confiar na inocência do líder religioso. A Uecum também informou que confia na atuação da Justiça e aguarda o esclarecimento dos fatos.

A defesa de Francisco Rinivaldo Barbosa Gomes afirmou que ele nega todas as acusações e sustenta que estaria sendo alvo de denúncias falsas, motivadas por vingança.

Relatos apontam abuso de poder religioso

De acordo com os depoimentos reunidos pela polícia, as mulheres relataram que o líder religioso se aproveitava da posição de autoridade dentro da umbanda para ganhar confiança e criar situações com justificativas espirituais para cometer os abusos.

Uma das vítimas, que teve a identidade preservada, afirmou que os episódios começavam com manipulação emocional e psicológica. Segundo ela, à medida que o pai de santo percebia maior vulnerabilidade, passava a tentar o contato sexual, sempre alegando estar cumprindo rituais religiosos.

Os relatos indicam que Nivaldo justificava os abusos como banhos espirituais ou trabalhos de descarrego, nos quais exigia que as mulheres ficassem despidas, afirmando estar incorporado por entidades.

Locais variados e intimidação constante

As denunciantes afirmam que os abusos não se restringiam ao terreiro. Segundo os relatos, os atos ocorriam também em cachoeiras, praias mais afastadas e até nas residências das vítimas, sempre sob o argumento de rituais religiosos.

Além disso, as mulheres relataram episódios frequentes de intimidação durante reuniões. De acordo com uma das vítimas, o líder religioso exigia respostas imediatas a ligações e mensagens e, quando contrariando, promovia humilhações públicas diante dos demais integrantes do terreiro.

Restrição a homens e controle financeiro

Outro ponto levantado pelas denunciantes é que Nivaldo dificultava a permanência de homens no terreiro, priorizando a presença feminina. Segundo uma das vítimas, homens que ingressavam no local acabavam afastados após conflitos provocados pelo próprio líder religioso.

As mulheres também relataram que eram obrigadas a realizar pagamentos frequentes, sob a promessa de prosperidade espiritual e material. Segundo os depoimentos, os valores aumentavam com o tempo e, em alguns casos, comprometiam a renda familiar das vítimas.

Denúncias e apoio jurídico

Após deixarem o terreiro, as mulheres afirmam ter descoberto que outras pessoas passaram por situações semelhantes. Diante disso, decidiram procurar a polícia e buscar apoio jurídico.

A advogada Andressa Esteves, da Associação Marta, que acompanha as vítimas, afirmou que os relatos envolvem suspeitas de estelionato religioso, violência sexual e extorsão. Segundo ela, o caso exige cautela, mas destaca a coragem das mulheres em denunciar.

O inquérito segue em andamento, e a polícia continua ouvindo testemunhas para esclarecer todos os pontos da investigação.

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