O caso da morte de Benício Xavier, de 6 anos, ocorrida em dezembro de 2025 após a aplicação de adrenalina diretamente na veia, voltou a ganhar repercussão nas redes sociais. A retomada do assunto ocorreu após o pai da criança, Bruno Freitas, reagir publicamente às declarações do advogado da médica investigada, Juliana Brasil Santos.
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O advogado Sérgio Figueiredo, que assumiu recentemente a defesa da acusada, divulgou um vídeo explicando a estratégia jurídica adotada para afastar a responsabilidade direta da médica pela morte do menino. A manifestação provocou indignação imediata do pai da vítima.
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No vídeo, Figueiredo argumenta que a aplicação incorreta da adrenalina, feita por via intravenosa pela técnica de enfermagem Raiza Bentes, conforme prescrição médica, não poderia ter causado o óbito, já que o efeito do medicamento duraria, no máximo, 30 minutos. Como Benício morreu cerca de 12 horas depois, a defesa sustenta que a responsabilidade seria exclusiva da equipe da Unidade de Terapia Intensiva (UTI/CTI) e do hospital, apontando supostas falhas na intubação e no cumprimento de protocolos por profissionais classificados como “despreparados”.
A tentativa de transferir a culpa para a equipe do CTI revoltou a família. Bruno Freitas comentou a publicação do advogado de forma irônica, criticando o que considera uma distorção dos fatos: “Só descreve esses fatos porque agora é o advogado dela! Fale logo que eu fui o culpado por ter levado meu filho no hospital”, escreveu.
Pai de criança que morreu por erro médico rebate advogado de médica: ‘Fala logo que eu fui o culpado’ (Foto: Reprodução)
Para o pai, o erro na prescrição médica foi o ponto inicial de toda a sequência trágica, e concentrar a discussão apenas nos acontecimentos posteriores seria ignorar a origem do problema.
Relembre o caso

Benício Xavier, de 6 anos, foi levado ao Hospital Santa Júlia, em Manaus, no dia 23 de novembro de 2025, com tosse seca e suspeita de laringite, quadro considerado simples e que normalmente é tratado com nebulização.
No entanto, a médica de plantão, Juliana Brasil Santos, prescreveu adrenalina por via intravenosa, contrariando os protocolos médicos, que indicam administração por inalação ou via oral. A dose aplicada foi cerca de 15 vezes superior à recomendada para uma criança. A técnica de enfermagem Raiza Bentes administrou o medicamento conforme a prescrição, sem realizar a dupla checagem exigida para fármacos de alta vigilância.
Logo após a aplicação, Benício sofreu uma piora grave, com seis paradas cardiorrespiratórias consecutivas. Ele morreu cerca de 12 horas depois, após permanecer internado na UTI.
As investigações apontam que a médica admitiu o erro em mensagens e no prontuário, além de suspeita de tentativa de alteração de documentos. A Polícia Civil também apurou que Juliana utilizava carimbo de pediatra sem possuir a especialidade, sendo registrada apenas como clínica geral.
A Justiça determinou a suspensão dos registros profissionais da médica e da técnica de enfermagem. O caso é investigado como homicídio doloso (por dolo eventual), falsidade ideológica e uso de documento falso.
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