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Oscar 2026: quais as chances do Brasil ser indicado?

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Oscar 2026: quais as chances do Brasil ser indicado?

O mundo do cinema conhece na próxima quinta-feira (22/1) os indicados ao Oscar de 2026. Depois de um desempenho histórico do Brasil na edição anterior, quando Ainda Estou Aqui garantiu uma vitória inédita para o país, a expectativa agora é ainda maior.

Diferentemente de 2025, quando o longa de Walter Salles foi a única produção brasileira presente na disputa, o cenário de 2026 é mais amplo. Existem chances reais de indicações para filmes, documentários, curtas-metragens e também para profissionais brasileiros em categorias técnicas e artísticas, como atuação, fotografia e montagem.

Confira a lista de brasileiros que podem ser indicados:

  • O Agente Secreto (Direção: Kleber Mendonça Filho; Atuação: Wagner Moura)
  • Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa (Documentário)
  • Amarela, de André Hayato Saito (Curta-metragem)
  • Adolpho Veloso (Fotografia por Sonhos de Trem)
  • Affonso Gonçalves (Montagem por Hamnet)
  • Juma Xipai (produtora do documentário Yanuni)

Chances de indicações de cada produção

Para entender as possibilidade e onde o Brasil pode surpreender, o Metrópoles conversou com os críticos de cinema Marcio Salem e Isabella Faria e mapeou os brasileiros que aparecem no radar da Academia.

O Agente Secreto

A principal aposta brasileira para o Oscar de 2026 é O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho. O longa pode fazer história caso alcance mais de quatro indicações, recorde mantido há mais de 20 anos por Cidade de Deus (2004), filme brasileiro que concorreu nas categorias de  Melhores Diretor, Roteiro Adaptado, Edição e Fotografia.

Segundo Isabella, o filme tem chances concretas de aparecer entre as categorias de Melhor Filme Internacional e Melhor Ator, com Wagner Moura. Uma indicação na categoria principal, de Melhor Filme, também é vista como possível.

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Wagner Moura no filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho

Divulgação

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Wagner Moura no filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho

Victor Juca/Divulgação

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O Agente Secreto

Divulgação

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Maria Fernanda Candido em O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho

Cinema Scopio/Divulgação

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Cena do filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho

Divulgação

Ela avalia ainda que o reconhecimento internacional do longa pode estender as indicações para áreas criativas. Ela citou as categorias de Melhor Roteiro Original e Melhor Diretor como caminhos possíveis, especialmente após a campanha do filme ganhar novo fôlego com as vitórias no Globo de Ouro.

Para Marcio, além dessas três categorias consideradas mais seguras — Melhor Filme Internacional, Melhor Filme e Melhor Ator —, o longa pode surpreender em outras frentes. Ele aponta a possibilidade de indicação em Melhor Elenco, categoria na qual o diretor de elenco Gabriel Domingues foi pré-selecionado, e Melhor Roteiro Original, mesmo com a tendência de vitória de Pecadores.

O crítico também destaca categorias técnicas, como Direção de Arte, sobretudo pela recriação do Recife da década de 1970, e não descarta uma indicação para Kleber Mendonça Filho em Melhor Diretor, embora reconheça que seja um cenário mais difícil. “Eu acredito muito fortemente que esse filme vai ser o nosso filme mais indicado de todos os tempos”, pontuou.

Já segundo as previsões da revista Variety, especializada em temporadas de premiação, O Agente Secreto deve conquistar quatro nomeações: Melhor Elenco, Melhor Filme Internacional, Melhor Filme e Melhor Ator.

Apocalipse nos Trópicos (Documentário)

A diretora brasileira Petra Costa busca repetir o feito de 2020, quando foi indicada com Democracia em Vertigem, com Apocalipse nos Trópicos. O documentário aborda a ascensão evangélica na política brasileira e como a fé tem influenciado o pensamento político no país.

Apocalipse nos Trópicos

Para Isabella, o tema dialoga com o atual momento político dos Estados Unidos, o que pode chamar a atenção dos votantes da Academia. Marcio, no entanto, vê a indicação do filme produzido pela empresa de Brad Pitt como incerta.

Segundo ele, a Netflix, que distribui o longa, também aposta em outros dois títulos mais fortes na categoria: A Vizinha Perfeita e A Verdade.

“Eu acredito que a universalidade do tema combinado com o estilo particular de narração da Petra pode dar alguma vantagem para a diretora nessa categoria, ou pelo momento pode dar alguma chance de nós vermos novamente o nome dela indicado. Mas essa é uma aposta que, para mim, não parece muito certa.”

Juma Xipai (produtora do documentário Yanuni)

Ainda na categoria de Documentário, o Brasil pode aparecer com Yanuni. Produzido e protagonizado por Juma Xipai, o filme acompanha a luta da indígena pela Amazônia e pelos direitos de seu povo, em uma jornada ao lado do marido, Hugo Loss, agente do Ibama, e a resistência contra o garimpo ilegal.

Para Isabella, o documentário enfrenta um páreo bastante difícil entre os pré-indicados, com várias produções da Netflix em evidência.

“Eu acredito que Yanuni não vai ter muito espaço por conta da força da Netflix. Ficaria muito feliz [pela indicação], mas acredito que não vai acontecer”, destacou.

Amarela, de André Hayato Saito (Curta-metragem)

Representante brasileiro na categoria de Curta-Metragem, Amarela narra a história de uma adolescente nipo-brasileira que rejeita as tradições da família japonesa enquanto anseia por uma vitória do Brasil na Copa do Mundo de 1998. Durante a tensão da partida, a jovem sofre uma violência aparentemente invisível e mergulha em um processo intenso e doloroso de emoções.

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Cena do curta Amarela, de André Hayato Saito

Divulgação

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Cena do curta Amarela, de André Hayato Saito

Divulgação

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Cena do curta Amarela, de André Hayato Saito

Divulgação

Segundo Isabella, a categoria de Melhor Curta-Metragem possui uma dinâmica muito própria e imprevisível. Ainda assim, ela destaca que a campanha de Amarela vem crescendo e pode favorecer uma indicação.

Já Marcio afirma que tem pouca expectativa pela indicação, mesmo diante da boa recepção no Festival de Cannes.

“Para ser bem honesto, a situação nesse caso é muito mais de marketing do que de qualidade, como a gente sabe que acontece no Oscar. Isso porque se é difícil para um longa-metragem realizar sua campanha internacionalmente, é mais difícil ainda para um curta-metragem que tem um orçamento limitadíssimo para esse investimento”.

Adolpho Veloso (Fotografia por Sonhos de Trem)

O trabalho de Adolpho Veloso como diretor de fotografia de Sonhos de Trem, da Netflix, vem se destacando na temporada de premiações. O brasileiro venceu o Critics’ Choice Awards e também recebeu outros prêmios, como o Satellite Awards e o Spirit Awards, o que fortalece suas chances de indicação ao Oscar, segundo Isabella.

Marcio destaca ainda que Veloso também foi indicado ao ASC Awards, premiação do sindicato dos diretores de fotografia, fator que amplia ainda mais a possibilidade de reconhecimento pela Academia com uma indicação.

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Adolpho Veloso ganhou o Critics Choice Award de Melhor Fotografia por Sonhos de Trem na 31ª edição anual do Critics Choice Awards

Gilbert Flores/Variety via Getty Images

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Cena de Sonhos de Trem

Divulgação/Netflix

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Cena de Sonhos de Trem

Divulgação/Netflix

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Cena de Sonhos de Trem

Divulgação/Netflix

Affonso Gonçalves (Montagem por Hamnet)

Jessie Buckley em Hamnet: A Vida Antes de Hamlet

Hamnet vem ganhando força na temporada de premiações e aparece bem posicionado em categorias principais. O filme dirigido por Chloé Zhao pode render destaque para o brasileiro Affonso Gonçalves, responsável pela montagem, um dos aspectos mais elogiados do longa.

“É um filme muito contemplativo, mas ele não é arrastado, ele é lindo, sensível e a edição tem um papel muito importante em trazer essa sensibilidade”, frisou Isabella.

Marcio, porém, não crava a indicação, embora não descarte a possibilidade diante do crescimento do filme em outras categorias. “A gente vê os especialistas quando eles colocam nas listas dos cinco indicados, eles sempre colocam Hamlet em quarto ou quinto, então está bem no limiar da dúvida”, concluiu.

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