Nos próximos meses, o Palácio Rio Branco deve conviver com um movimento silencioso, mas previsível. Secretarias, autarquias e fundações estratégicas do governo do Acre tendem a passar por ajustes, não exatamente por avaliação de desempenho, mas por cálculo eleitoral. O calendário impõe prazos, e quem pretende estar na urna precisa, antes, sair de cena.
A lista de possíveis afastamentos mistura nomes experientes, apostas de partido e quadros que ainda avaliam o custo-benefício de trocar a gestão pública pelo voto.

Pastas estratégicas do governo do Acre tendem a passar por ajustes/ Foto: Aleff Matos/Sefaz
Os que despontam com mais clareza
Aberson Carvalho, à frente da Educação, aparece como um dos nomes mais sólidos. Além do cargo estratégico, com forte capilaridade no estado, ele preside o Progressistas em Rio Branco, o mesmo partido do governador Gladson Cameli. Com base eleitoral consolidada, surge como candidato competitivo na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Aberson Carvalho é secretário de Educação do Acre | Foto: Juan Diaz/ContilNet
Luiz Tchê, secretário de Agricultura, vive uma situação diferente. Deputado estadual licenciado, comanda o PDT no Acre e deve seguir o caminho mais óbvio, tentar a reeleição. O retorno ao Legislativo parece menos uma aposta e mais uma continuidade natural do mandato interrompido.
Luis Tchê é titular da Seagri/Foto: Reprodução
José Bestene, no comando da Saneacre, carrega um currículo conhecido do eleitor. Foram vários mandatos como deputado estadual e tentativas frustradas nas últimas eleições. Ainda assim, o histórico e o espaço político indicam que ele deve tentar novamente um lugar na Assembleia.
Secretário José Bestene/Foto: Diego Gurgel-Secom
André Hassem, presidente do Instituto de Meio Ambiente do Acre, também entra no radar. Ex-prefeito de Epitaciolândia, mantém presença política no interior e tende a buscar uma vaga na Aleac, apostando no recall administrativo.
André Hassem é o presidente do Imac/Foto: ContilNet
Os movimentos mais complexos
Gabriela Câmara, à frente do Iteracre, vive um dilema político familiar. Já disputou eleições anteriormente sem sucesso e, agora, avalia os próximos passos com cautela. A mãe, a deputada federal Antonia Lúcia, deve tentar a reeleição, assim como o sogro, Manoel Moraes, deputado estadual e líder do governo na Assembleia. O xadrez familiar pesa e pode adiar, ou redefinir, sua decisão.
Gabriela Câmara é presidente do Iteracre | Foto: Reprodução
João Paulo Bittar, presidente da Funtac, é outro nome observado de perto. Comanda o PL em Rio Branco, partido de grande estrutura nacional, e é filho do senador Marcio Bittar. Pode optar por uma vaga na Assembleia ou até na Câmara dos Deputados, mais como estratégia de fortalecimento da chapa do que como projeto individual isolado.
João Paulo Bittar é presidente da Funtac | Foto: ContilNet
Minoru Kinpara, presidente da FEM, aparece como uma das apostas do PSDB. Apesar de já ter concorrido a vários cargos sem vitória, deve ser novamente lançado, desta vez como um dos principais nomes do partido na disputa pelo Congresso.
Minoru Kinpara, presidente da FEM | Foto: ContilNet
Moisés Diniz, à frente da Fapac, surge como possibilidade menos óbvia. Ex-deputado, com trajetória longa na política acreana, pode aparecer como candidato surpresa, dependendo do desenho final das chapas.
Moisés Diniz, presidente da Fapac | Foto: reprodução
Os nomes que geram expectativa, mas ainda são dúvida
Há também aqueles que não manifestaram intenção clara de disputar, ou que não têm histórico eleitoral, mas que acumulam prestígio suficiente para virar opção de última hora.
Sula Ximenes, primeira mulher a presidir o Deracre, é um desses casos. Construiu trânsito político amplo, conseguiu destravar emendas para obras relevantes e dialoga bem tanto com aliados quanto com adversários. Seu nome circula, mesmo sem confirmação.
Sula Ximenes, predisente do Deracre | Foto: ContilNet
Taynara Martins, presidente do Detran, também entra nesse grupo. Com forte aprovação popular e uma base de apoiadores que vai além da política tradicional, seria uma candidatura movida mais por reconhecimento do que por estrutura partidária.
Taynara Martins, presidente do Detran | Foto: ContilNet
Por enquanto, tudo permanece no campo da especulação. Mas, à medida que os prazos se aproximam, o governo deve começar a sentir os primeiros sinais de esvaziamento estratégico. Afinal, em ano eleitoral, o cargo é temporário, o voto, não.