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A receita anual da OpenAI, empresa por trás do ChatGPT, superou US$ 20 bilhões em 2025 – algo na casa dos R$ 108 bilhões. O número é consideravelmente maior que o referente a 2024: US$ 6 bilhões (R$ 32,3 bilhões).
A alta nas finanças foi praticamente proporcional ao aumento da capacidade computacional, que passou de 0,6 GW para 1,9 GW. As informações são de Sarah Friar, diretora financeira da startup, que escreveu um texto no site da OpenAI.
- Para ilustrar os números, 1 GW equivale aproximadamente ao consumo anual de energia de 800 mil residências nos EUA – de acordo com uma análise da CNBC com base em dados da Administração de Informação Energética.

Ainda segundo a executiva, os números de usuários ativos semanais e diários continuam a atingir recordes históricos. Até o fim do ano passado, pelo menos, a empresa falava em 800 milhões de usuários semanais.
Os próximos passos da OpenAI
Sarah Friar lembrou que os serviços da OpenAI, hoje, abrangem texto, imagens, voz, código e APIs. O “depois” está muito ligado aos agentes de IA.
A próxima fase envolve agentes e automação de fluxos de trabalho que funcionam continuamente, mantêm o contexto ao longo do tempo e executam ações em diversas ferramentas. Para indivíduos, isso significa IA que gerencia projetos, coordena planos e executa tarefas. Para organizações, torna-se uma camada operacional para o trabalho intelectual.
Sarah Friar, diretora financeira da OpenAI
Ainda nas palavras dela, o foco para 2026 é a “adoção prática”. A diretora afirma que a oportunidade é grande e imediata, especialmente nas áreas da saúde, ciência e negócios.
Um recado ao mercado?
Separei uma citação um pouco mais longa, mas que vale a pena para entender a estratégia da OpenAI:
À medida que esses sistemas passam da novidade ao hábito, o uso se torna mais profundo e persistente. Essa previsibilidade fortalece a viabilidade econômica da plataforma e sustenta o investimento a longo prazo.
O modelo de negócios fecha o ciclo. Começamos com assinaturas. Hoje, operamos um sistema de múltiplos níveis que inclui assinaturas para consumidores e equipes, um nível gratuito com suporte de anúncios e comércio que impulsiona a ampla adoção e APIs baseadas em uso vinculadas a cargas de trabalho de produção. O futuro disso irá além do que já vendemos. À medida que a inteligência se expande para a pesquisa científica, descoberta de medicamentos, sistemas de energia e modelagem financeira, novos modelos econômicos surgirão. Licenciamento, acordos baseados em propriedade intelectual e precificação baseada em resultados compartilharão o valor criado. Foi assim que a internet evoluiu. A inteligência seguirá o mesmo caminho.
Este sistema exige disciplina. Garantir computação de classe mundial requer compromissos assumidos com anos de antecedência, e o crescimento não ocorre de forma linear. Às vezes, a capacidade precede o uso. Outras vezes, o uso precede a capacidade. Gerenciamos isso mantendo o balanço patrimonial enxuto, priorizando parcerias em vez de aquisição e estruturando contratos com flexibilidade entre fornecedores e tipos de hardware. O capital é alocado em parcelas, de acordo com sinais reais de demanda. Isso nos permite antecipar o crescimento quando ele ocorre, sem comprometer mais recursos futuros do que o mercado merece.
Sarah Friar, diretora financeira da OpenAI
Esse trecho parece endereçado a quem teme uma eventual bolha no mercado de tecnologia. As principais empresas do setor, incluindo a OpenAI, investiram bilhões e bilhões em novos data centers para alimentar as IAs. Mas esse movimento ainda não gerou retorno financeiro.
Como noticiamos em novembro, documentos obtidos pelo Wall Street Journal mostram que a Anthropic, famosa pelo chatbot Claude, pretende alcançar o ponto de equilíbrio financeiro já em 2028. Em contrapartida, a OpenAI projeta perdas operacionais de cerca de US$ 74 bilhões no mesmo ano, devido ao investimento massivo em infraestrutura e tecnologia.
Segundo os relatórios, a OpenAI planeja gastar 14 vezes mais que a Anthropic antes de obter lucro… em 2030.
Também em novembro, o CEO da startup, Sam Altman, falou de finanças no X: “Esperamos fechar este ano com uma receita anualizada acima de US$ 20 bilhões e crescer para centenas de bilhões até 2030. Estamos falando de compromissos de cerca de US$ 1,4 trilhão nos próximos 8 anos. Obviamente, isso exige crescimento contínuo da receita, e cada duplicação representa muito trabalho!”.
Vale lembrar:
- Na semana passada, a OpenAI anunciou um acordo de US$ 10 bilhões com a fabricante de chips Cerebras. Ao longo de 2025, a startup comprometeu mais de US$ 1,4 trilhão em acordos de infraestrutura com empresas como a Nvidia, AMD e Broadcom.
A lacuna entre US$ 20 bilhões e US$ 1,4 trilhão parece grande, mas a OpenAI reitera sua confiança em superá-la.
Outras novidades recentes da OpenAI para explicar o contexto
- A OpenAI anunciou que o ChatGPT passará a exibir anúncios em breve, começando por links de compras e serviços patrocinados relacionados ao contexto das conversas. A fase inicial de testes será realizada nas próximas semanas, nos Estados Unidos, e envolverá usuários conectados que utilizam a versão gratuita ou o plano ChatGPT Go.
- A OpenAI pode dar seus primeiros passos no mercado de hardware já em 2026. O chefe global de políticas públicas da empresa, Chris Lehane, afirmou que o desenvolvimento do ‘ChatGPT físico’ está avançando e pode resultar em pelo menos uma apresentação oficial no segundo semestre do próximo ano. O produto faz parte da união da OpenAI com a io, empresa de hardware do ex-designer da Apple Jony Ive.